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Plano contra imigração é tóxico para economia britânica

Dando certo ou não, proposta da primeira-ministra Theresa May pode afundar a economia do Reino Unido

Plano contra imigração é tóxico para economia britânica
Medida prejudicaria empresas e dificultaria acordos comerciais (Foto: Flickr/number10gov)

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A incerteza criada pelo Brexit dificulta a elaboração de políticas concretas em muitas áreas. Mas a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) mudou o contexto de um assunto específico: a imigração. O manifesto do Partido Trabalhista é vago, com promessas de “regras justas” e uma administração sensata. Porém, a primeira-ministra Theresa May reiterou uma antiga promessa do Partido Conservador de reduzir a taxa de migração líquida (imigração menos emigração) para menos de 100 mil por ano. Esse compromisso e o fracasso do partido em cumpri-lo prejudicaram os conservadores. Agora, mais uma vez, pode ser um motivo de decepção.

David Cameron fez uma proposta semelhante em 2010 em um esforço para ganhar uma eleição. Mas não chegou perto de alcançar a meta prevista. Até agora, os conservadores culparam a UE pelo fracasso, cujas regras de livre circulação dificultaram o controle da imigração. Após o Brexit, será possível diminuir o número de imigrantes de países membros da UE. Mas mesmo com uma redução radical, a taxa de migração líquida permaneceria acima de 100 mil.

O governo pretende aumentar os impostos de empresas que contratam profissionais estrangeiros. Porém, não só essa medida prejudicaria as empresas, como também dificultaria os acordos comerciais após a saída da União Europeia. A Índia, por exemplo, já deixou claro que qualquer acordo comercial terá de incluir algumas concessões sobre imigração.

Se a primeira-ministra falhar em sua promessa, sua credibilidade e a de seu governo poderiam sofrer um grande desgaste. As alegações de ter obtido o melhor acordo para o Brexit seriam vistas com ceticismo pelos que votaram “sim” no referendo do Brexit, muitos dos quais veem a diminuição da imigração como a principal razão para sair da UE. No entanto, o perigo mais grave é o sucesso da promessa feita pela primeira-ministra. Os prejuízos econômicos seriam enormes, não só nas finanças públicas. O fluxo atual da imigração beneficia a economia em geral do país.

Segundo estimativas do órgão de controle fiscal do governo, até meados da década de 2060, com uma taxa de migração líquida em torno de 100 mil, a dívida pública equivaleria a cerca de 30% do PIB. Portanto, entre todas as promessas feitas, a primeira-ministra deveria pensar seriamente em não cumprir a da redução da imigração.

Fontes:
The Economist-The Tories’ plan to slash immigration would harm the economy

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