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A polêmica proposta de armar professores

Enquanto Trump sugere bônus salarial para professores armados, sobreviventes de ataques pedem controle de armas

A polêmica proposta de armar professores
Segundo o editorial do 'New York Times', se os professores estiverem armados, as consequências podem ser ainda piores (Foto: Pixabay)

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O ataque da semana passada na escola em Parkland, na Flórida, onde o ex-aluno Nikolas Cruz matou 17 pessoas, vem reacendendo o debate sobre o controle das armas nos Estados Unidos. Na última quinta-feira, 22, a Casa Branca indicou que o governo federal pode financiar o treinamento e o armamento de professores numa tentativa controversa de manter as escolas a salvo dos tiroteios em massa.

Os sindicatos dos professores expressaram choque e ceticismo em relação à proposta. O presidente americano, Donald Trump, sugeriu pagar um bônus aos professores armados e treinados, sugerindo que “10, 20, 40% dos professores poderiam ser qualificados para fazer isso”. “Eu quero que minhas escolas estejam protegidas assim como meus bancos”, disse o republicano.

O secretário adjunto de imprensa da Casa Branca Raj Shah confirmou que Trump está considerando apoiar um aumento na idade mínima para 21 anos para comprar um rifle de assalto, mas que ele não apoia proibir armas de assalto para a população. Os alunos sobreviventes ao ataque na escola em Parkland, por outro lado, começaram uma campanha pedindo exatamente esta medida.

Numa sessão na Casa Branca na última quarta-feira, 21, o presidente americano ouviu sobreviventes do ataque e outros afetados pela violência com armas. Ele disse que professores e treinadores armados “poderiam ter terminado com o ataque muito rápido”.

Nicole Hockley, cujo filho de seis anos morreu na escola de Sandy Hook em Newtown, Connecticut, em 2012, foi contra a proposta de armar professores. “Eu preferiria armar eles com o conhecimento de como prevenir estes atos de acontecerem”, disse.

O presidente da Federação Americana de Professores, Randi Weingarten, também foi contra a proposta. “Qualquer um que queira armas em escolas não tem conhecimento nenhum sobre o que ocorre lá dentro – ou pior, não se importa”, disse.

Editorial critica proposta

Nesta sexta-feira, 23, o jornal americano The New York Times fez uma dura crítica à proposta de armar professores em seu editorial. Nos Estados Unidos, há cerca de 3,5 milhões de professores de ensino primário e secundário em escolas públicas e privadas. Armar 20% disso, como Trump sugeriu, significaria 700 mil professores com uma arma em seus quadris.

O vice-presidente executivo da Associação Nacional de Rifle, Wayne LaPierre, disse para ativistas conservadores que para parar uma pessoa ruim com uma arma, é preciso um cara bom armado. No entanto, o chefe de polícia de Tucson, Chris Magnus, não concorda com a ideia de armar professores. “É difícil começar a contar o número de formas como essa é uma má ideia”, diz Magnus. “Por que nós pensaríamos que uma pessoa com esses tipos de problemas vai fazer uma decisão racional baseada no fato de que alguém na escola pode estar armado?”, questiona.

O jornal bate na tecla de que professores são humanos e que, por isso, devem reagir como qualquer outra pessoa em uma situação de muito medo e estresse. Se eles estiverem armados, as consequências podem ser ainda piores. O Departamento de Polícia de Nova York conta com cerca de 36 mil policiais armados. Em situações de muito estresse, eles são humanos também. Não há estáticas nacionais, mas em Nova York, os números mostram que os policiais acertam seus alvos apenas um terço das vezes. Em situações de tiroteio, quando a adrenalina está muito alta, essa taxa pode cair para até 13%.

Um problema é atirar em pedestres. Isso não é rotina, mas acontece. Em 2012, dois policiais de Nova York atiraram e mataram um atirador numa rua movimentada perto do Empire State. Mas eles também feriram nove pessoas. Agora imagine um professor assustado em um espaço lotado de alunos.

Para o jornal, a melhor forma de evitar a ameaça de um uma pessoa armada com más intenções é impedir que ela consiga o tipo de arma de combate usado por Nikolas Cruz. Por isso, é necessário proibir armas de assalto e endurecer as checagens de passado criminal.

LaPierre diz que o controle das armas acaba com as liberdades individuais. Na verdade, o controle de armas dá às pessoas, especialmente às crianças, uma chance melhor de aproveitar o primeiro direito inalienável mencionado na Declaração de Independência: a vida.

Fontes:
The Guardian- White House indicates it could find funds to train and arm 1 million teachers
The New York Times-Let the Teachers Teach

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1 Opinião

  1. Natanael Ferraz disse:

    Admiro os americanos porque eles levam seu estilo de vida às últimas consequências. Democracia é isso, liberdade. Ou você morre feito um cão danado, ou tenta sobreviver lutando. Lá não tem vitimismo.

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