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FRANÇA

Polícia francesa remove quase mil de campo de migrantes

Remoções ocorreram na cidade de Dunquerque em resposta a uma decisão judicial, que apontava que o acampamento improvisado era um risco à saúde e à segurança

Polícia francesa remove quase mil de campo de migrantes
Despejo é o maior já registrado em mais de um ano no país (Foto: Care4Calais/Twitter)

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A polícia francesa removeu nesta terça-feira, 17, quase mil migrantes de um campo temporário em Grande-Synthe, bairro no subúrbio da cidade de Dunquerque, na França. Este foi o maior despejo em mais de um ano no país.

As remoções obedeciam a uma decisão judicial, que argumentava que o acampamento improvisado era um risco à saúde e à segurança. Um juiz de Lille, que tomou a decisão no último dia 4 de setembro, citava a violência, contrabandistas e redes criminosas que atuavam no local.

“Acho que todos aqui ficaram felizes em sair da favela que Grande-Synthe se tornou. […] Estamos fechando nesta manhã e são boas notícias para o estado de direito e os direitos humanos”, afirmou o prefeito local, Michel Lalande.

Os jovens que viajavam sozinhos foram os primeiros a serem retirados do local. Segundo a rede Al Jazeera, eles seriam encaminhados para centros de refugiados, onde poderiam pedir asilo. O presidente da França, Emmanuel Macron, já prometeu acelerar o processo de pedido de asilo para pessoas consideradas migrantes de boa-fé. No entanto, destacou que “ao afirmar ser humanista, às vezes somos muito relaxados”.

Segundo Clare Maillot, que atuou na instituição de caridade para migrantes Salam, normalmente os migrantes são levados para centro de refugiados e, mais tarde, acabam retornando para campos improvisados. Já o migrante sírio Araf Mohamed, de 23 anos, afirmou que seu ônibus estava sendo levado para a cidade de Brest, a mais de 700 quilômetros de Dunquerque.

Os migrantes começaram a se estabelecer em um ginásio e um campo adjacente em dezembro de 2018, quando o espaço foi aberto para as famílias. Desde então, cerca de mil migrantes se estabeleceram no local, que tinha condições humanitárias terríveis, segundo pessoas ouvidas pelo Guardian.

Muitos dos migrantes tinham como objetivo final chegar ao Reino Unido. Por isso, essas pessoas costumam se dirigir a cidades como Dunquerque e Calais, localizadas nas proximidades do Estreito de Dover, no Canal da Mancha, a região mais próxima entre a França e o Reino Unido.

Assim como Araf Mohamed, o iraquiano Abdullah Saman, de 44 anos, acompanhado por sua esposa e três filhos, também tinha interesse em chegar ao Reino Unido. Segundo Saman, não há garantia de vida em morar na França, além da linguagem ser difícil e não ter trabalho.

A voluntária Sarah Berry, da instituição de caridade Care4Calais, revelou que muitos migrantes estavam com medo de para onde estavam sendo levados. “Há muitos refugiados muito preocupados em não serem levados a um centro de acolhimento, mas a um centro de deportação”, destacou Berry.

Já Martina Villa, executiva de comunicação da ONG Médicos do Mundo, expressou preocupação com os migrantes que precisam de cuidados médicos, mas mesmo assim foram levados pelas autoridades. De acordo com Villa, os despejos apenas demonstram a “violência institucional”.

Fontes:
The Guardian-French police clear ‘security hazard’ migrant camp
Al Jazeera-French police begin to clear migrants sheltered at Dunkirk gym
BBC-French Dunkirk camp cleared as migrants try to reach UK

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