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RÚSSIA

Polícia prende mais de 400 pessoas em manifestação em Moscou

Protesto criticava a prisão forjada do jornalista investigativo Ivan Golunov, conhecido por expor casos de corrupção

Polícia prende mais de 400 pessoas em manifestação em Moscou
Entre os detidos está o líder opositor Alexei Navalny (Foto: SobolLubov/Twitter)

Pelo menos 423 manifestantes foram presos durante um protesto em Moscou, na capital da Rússia, na última quarta-feira, 12. Os manifestantes criticavam a prisão do jornalista investigativo Ivan Golunov, alvo de uma acusação forjada, e pedia punição aos policiais que prenderam o jornalista.

Na última terça-feira, 11, a polícia russa libertou Golunov, conhecido por suas reportagens sobre casos de corrupção, e retirou as acusações contra ele. O jornalista havia sido acusado de posse e tráfico de drogas. Os policiais que prenderam Golunov foram suspensos.

O caso gerou repercussão negativa no país, por isso, críticos entenderam que a libertação foi uma tentativa fracassada de impedir a manifestação. Segundo as autoridades, mais de 1,2 mil pessoas participaram do movimento em Moscou. Já a mídia russa afirmou que entre 2,5 mil e 3 mil russos se reuniram para protestar.

Entre os detidos pela polícia, está o líder opositor Alexei Navalny, um dos principais críticos do presidente Vladimir Putin, além de vários jornalistas que participavam da manifestação. De acordo com as autoridades, a manifestação era ilegal. Isso porque a legislação russa prevê que os protestos precisam ter data, hora e local previamente definidos entre os manifestantes e as autoridades.

No período em que Golunov permaneceu preso – entre os últimos dias 7 e 12 de junho -, vários jornais manifestaram apoio ao jornalista. Pelo menos três veículos independentes estamparam a foto do jornalista na capa. Golunov, enquanto detido, permaneceu incomunicável, com relatos de que teria sido espancado por policiais.

“Estamos absolutamente felizes por Ivan [Golunov] estar livre, mas nossos objetivos ainda não foram alcançados. […] Vamos exigir uma investigação sobre o caso criminal fabricado e todos esses casos na Rússia”, afirmou a jornalista Elizaveta Nesterova, uma das organizadoras da manifestação, em entrevista à rede CBS News.

A liberdade de imprensa é cerceada há anos na Rússia. No entanto, o atual governo de Putin tem apertado o cerco contra as liberdades individuais. Na última semana, o Kremlin solicitou ao aplicativo de namoro Tinder o repasse de perfis e mensagens trocadas por usuários russos. Já no início de maio, Putin sancionou uma lei que pode isolar a internet da Rússia.

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Fontes:
CBS News-Russian police arrest hundreds marching against journalist's detention on "fabricated" charges
BBC-Ivan Golunov's Russian release: Why this case matters
DW-Centenas são presos em protesto contra abuso policial em Moscou

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