Início » Internacional » Polícia retira mais de mil imigrantes das ruas de Paris
FRANÇA

Polícia retira mais de mil imigrantes das ruas de Paris

Estrangeiros foram levados para abrigos temporários e o acampamento de rua foi destruído

Polícia retira mais de mil imigrantes das ruas de Paris
A operação de despejo foi iniciada por volta das 6 da manhã (Foto: Facebook/@Annehidalgo)

Mais de 1,7 mil imigrantes e requerentes de asilo que dormiam sob uma ponte ao longo do canal Saint-Denis, em Paris, foram retirados do local pela polícia francesa em uma operação de despejo iniciada por volta das 6 da manhã desta quarta-feira, 30. O local é um dos maiores acampamentos de rua levantados por imigrantes em situação de espera na capital francesa.

A prefeitura da cidade informou que 1.017 pessoas do acampamento foram transferidas para abrigos temporários, incluindo 64 pessoas vulneráveis, como mulheres, crianças e menores desacompanhados. Autoridades locais dizem que esta operação foi o 35º despejo policial em acampamentos em Paris nos últimos três anos. Muitos dos estrangeiros sem teto são do Sudão, Somália e Eritreia e fizeram uma perigosa travessia pelo Mediterrâneo. Os estrangeiros entraram nos ônibus levando pequenas bolsas com seus pertences, antes das barracas serem destruídas.

Durante quatro meses, vários acampamentos de rua se desenvolveram na capital francesa, como o La Chapelle. Mas nenhuma solução concreta foi fornecida pelos serviços do Estado. Mais de 2 mil imigrantes e requerentes de asilo vêm dormindo nas calçadas do norte de Paris, sob condições escassas de água corrente. Eles não contam com chuveiros e têm acesso escasso a sanitários temporários. Médicos e grupos de ajuda humanitária falam em “condições sanitárias catastróficas”. A preocupação é que Paris se torne o “novo Calais”, acampamento de rua onde moravam 8 mil pessoas. Calais foi fechado há 18 meses.

No dia 23 de maio, o Ministério do Interior francês anunciou que organizaria uma operação de abrigo para todos os imigrantes que estivessem dormindo em acampamentos de rua em Paris. O órgão também confirmou que o Estado não precisa de uma ordem judicial para intervir nos acampamentos. Na França, a lei prevê que o cuidado dos requerentes de asilo e o respeito à ordem pública são da competência do Estado.

O jogo da culpa entre governos

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, acusa o presidente Emmanuel Macron de falhar em fornecer ajuda para o grande número de pessoas acampadas nas ruas da capital. Segundo o site da Prefeitura de Paris, enquanto a cidade esperava por uma operação de abrigo, a prefeitura e as associações estabeleceram ajuda de emergência para atender às necessidades básicas das pessoas nos campos, como pontos de água e instalações sanitárias, que já não são suficientes.

Apesar das barracas serem evacuadas e destruídas nestas operações, imigrantes e requerentes de asilo sem teto, sem outra solução, acampam rapidamente em outros lugares da cidade. O próximo a ser fechado é o de La Chapelle. A operação deve ocorrer nos próximos dias.

A proposta de lei de imigração de Macron está, atualmente, sendo analisada pelo Senado. A ideia é criminalizar a entrada ilegal, acelerar o processo de pedido de asilo e de expulsão daqueles que não conseguirem asilo. Grupos de ajuda humanitária argumentam que o plano não estabelece um sistema de longo prazo para receber e fornecer abrigo para aqueles que chegam à França.

Segundo a prefeitura de Paris, a cidade já gastou 30 milhões de euros desde 2015 para ajudar os imigrantes. A cidade, que só representa 1% da Ilha da França, é umas das 13 regiões administrativas do país, mas conta com 34% das acomodações.

 

Leia também: Imigrante ilegal salva criança e recebe cidadania

Fontes:
The Guardian-French riot police clear 1,000 migrants from Paris makeshift camp

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *