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Crise da Imigração ilegal

Política europeia de imigração fez do Mediterrâneo um cemitério

Após criminalizar a imigração, a Europa se tornou quase uma fortaleza inacessível. Até que isso mude, o Mediterrâneo continuará sendo um cemitério de imigrantes

Política europeia de imigração fez do Mediterrâneo um cemitério
A Fortaleza Europa não criou apenas uma barreira nas fronteiras. Ela criou barricadas em torno do senso humanitário europeu (Reprodução/Guardia Costiera)

Somente no último fim de semana, cerca de 1.200 pessoas morreram em naufrágios no Mediterrâneo. As vítimas são imigrantes de países africanos como Síria, Mali, Eriteia e Somália, que tentam chegar ao sul da Europa para fugir da violência em seus países de origem.

A tragédia foi tema de um artigo de opinião publicado nesta quarta-feira, 22, no New York Times. “A escala dessa tragédia é chocante, mas não é novidade. Estima-se que, desde 1993, cerca de 20 mil pessoas morreram tentando cruzar as fronteiras do sul da Europa. Sem dúvida, esse número é bem maior, pois milhares de mortes não foram registradas”, diz o artigo assinado pelo escritor Kenan Malik.

Os países europeus são rápidos em culpar os traficantes de pessoas pelo problema, diz Malik. Na última segunda-feira, 20, a União Europeia apresentou um plano para conter a onda de imigração. O plano inclui ações militares e de repressão a redes de tráfico humano.

“Sem dúvida, esses traficantes são figuras nefastas, mas o que gera a onda de imigrantes ilegais para o sul da Europa são as próprias leis de imigração da União Europeia.  O bloco vem tratando a questão da imigração não como um assunto humanitário, mas como um crime. Foi criada uma estratégia de contenção que militarizou as fronteiras e criminalizou a imigração”, diz.

O texto afirma que nas últimas três décadas, o continente se dedicou a construir o que críticos chamam de “fortaleza Europa”, um cinturão aéreo, marítimo e terrestre protegido por tropas militares e um sistema de vigilância de alta tecnologia feito por satélites e aviões-robô.

“A decisão de acabar com o Mare Nostrum (programa de resgate de imigrantes da marinha italiana) realça a abordagem europeia. O programa foi substituído pelo Triton, muito mais limitado, que não tem o resgate como foco, mas sim a proteção das fronteiras”.

O artigo finaliza afirmando que a “fortaleza Europa” não criou apenas uma  barreira nas fronteiras europeias. Ela criou barricadas em torno do senso humanitário europeu. “Até que isso mude, o Mediterrâneo continuará sendo um cemitério de imigrantes. Na próxima tragédia, é bom lembrar que os parlamentares europeus poderiam tê-la evitado, mas escolheram não fazer isso”, diz o texto.

Fontes:
The New York Times-Migrants Face Fortress Europe’s Deadly Moat

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