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Direitos iguais

Por que a poligamia não é o próximo casamento gay

Autor Jonathan Rauch rebate a ideia de que permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo implique em liberar qualquer tipo de casamento

Por que a poligamia não é o próximo casamento gay
Uma família poligâmica da Igreja Mormon, em 1888 (Foto: Wikipédia)

“Se deixarmos de restringir o casamento a um homem e uma mulher, teremos de liberar geral! Afinal, por que o casamento apenas entre duas pessoas? Por que não três ou quatro? Por que não o casamento com seu irmão? Ou seu cachorro? Ou uma torradeira?”

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É assim que Jonathan Rauch, membro sênior do Instituto Brookings e ativista dos direitos dos homossexuais, resume o principal argumento martelado pelos que são contra o casamento gay. Em um artigo para o site americano Politico, Rauch rejeita a tese e explica o que vê como a diferença fundamental entre a poligamia e o casamento gay:

“A poligamia, ao permitir que homens acumulem esposas, tira a oportunidade de outros homens de se casarem. O casamento do mesmo sexo, ao contrário, estende essa oportunidade a pessoas que não dispunham dela antes”, diz.

Segundo Rauch, quando um homem de status elevado na sociedade pode se casar com duas ou mais mulheres, um ou mais homens — geralmente de status mais baixo que o primeiro –, ficarão sem esposas. Ou seja, a poligamia, diz Rauch, deixa homens de status relativamente inferior sem acesso a uma das mais importantes instituições da vida humana, o casamento.

Segundo estudos citados pelo autor, estes homens, injustamente prejudicados, muitas vezes se voltam para comportamentos como crime e violência. A situação, diz Rauch, também não é boa para as mulheres, que passam a enfrentar a concorrência direta de outras mulheres.

“Eu não estou apenas inventando isso. Há uma extensa literatura sobre poligamia”, diz.

Rauch cita um estudo de 2012, que apontou “taxas significativamente mais altas de estupro, sequestro, homicídio, assalto, roubo e fraude em culturas poligâmicas”.  De acordo com esse estudo, a “principal vantagem evolutiva cultural da monogamia sobre a poligamia é a distribuição mais igualitária das mulheres, o que reduz a competição masculina e problemas sociais”.

Não é coincidência que quase nenhuma democracia liberal permite a poligamia hoje, conclui o autor.

Fontes:
Politico - No, Poligamy Isn´t the Next Gay Marriage

2 Opiniões

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    Mesmo na condição de membro excomungado da Igreja Mórmon, vejo-me na obrigação de mencionar a extrema injustiça que as famílias polígamas de Utah, no fim do século 19, sofreram.
    Os chefes de tais famílias, que foram desmembradas à força pelo governo dos EUA, por ocasião da anexação do território mórmon pela União e sua transformação em um dos Estados Unidos da América do Norte, foram forçados a escolher uma de suas famílias e abandonar as outras. Ou fugir para o México.
    Em 1968, George Romney, pai de Mitt Romney, foi impedido de concorrer a presidência dos EUA, justamente por ter nascido no México, filho de um pai polígamo que teve que se refugiar nesse país para não ter que destruir a sua família plural.
    Mórmons podem ser fanáticos, mas são, como grupo, pessoas de altíssimo nível moral. Os EUA perderam muito ao não eleger Mitt Romney como presidente nas últimas eleições.

  2. André Luiz D. Queiroz disse:

    Acho falacioso creditar à poligamia “taxas significativamente mais altas de estupro, sequestro, homicídio, assalto, roubo e fraude”, segundo um estudo de 2012 (qual estudo? De quem? Quais foram as culturas poligâmicas pesquisadas?)… Além disso, essa linha de raciocínio dá a entender que as mulheres não teriam qualquer poder de escolha quanto aos cônjuges, como se fosse meros ‘objetos’ a serem adquiridos no ‘mercado’, e que o ‘acúmulo de esposas’ por alguns poucos afortunados geraria ‘falta de oferta’ para os demais homens ainda solteiros…! Ora, isso parece uma grande bobagem!

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