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Saúde da mulher

Por que a taxa de mortalidade materna cresce nos EUA?

Enquanto na maior parte do mundo os índices de mortes relacionadas à gravidez estão caindo, nos EUA a mortalidade materna está crescendo

Por que a taxa de mortalidade materna cresce nos EUA?
As americanas estão em um pior estado de saúde ao engravidarem e não procuram o acompanhamento adequado (Foto: Flickr)

Graças a avanços na medicina obstetrícia e a melhores condições de saúde, o índice de óbitos de mulheres por complicações no parto caiu quase 99% nos EUA desde a década de 1930. Em 1987, menos de oito mulheres morriam a cada 100 mil partos. Ao longo do último quarto de século, no entanto, a taxa de mortalidade materna vem subindo novamente nos EUA. 

Em 2013, o número cresceu para 18,5 mortes a cada 100 mil partos (incluindo mulheres que morreram 42 dias depois de darem à luz). Isso faz dos EUA um país isolado neste aspecto, na comparação com outros países desenvolvidos. Entre 2003 e 2013, os EUA eram um em apenas oito países — incluindo Afeganistão e Sudão do Sul — onde a taxa de mortalidade maternal estava subindo. As mulheres americanas correm mais riscos de morrer por causas ligadas à gravidez do que as mulheres da Inglaterra, República Checa, Alemanha e Japão.

O que está acontecendo? Alguns sugerem que o país está apenas contabilizando melhor as mortes relacionadas à gravidez. Mas isso não explica por que o número mais que dobrou nos últimos 25 anos e continua a subir.

Uma teoria é que a alta reflete o fato de que mais mulheres estão engravidando mais tarde, o que torna o parto mais arriscado. Mulheres com 35 anos ou mais representavam menos de 15% dos partos entre 2006 e 2010, mas eram mais de 27% das mortes relacionadas à gravidez. Ainda assim, padrões similares podem ser analisados em outras partes do mundo, como a Europa Ocidental, onde a mortalidade continua a cair. Outros apontam para o fato de que quase um terço de todos os partos americanos são por cesariana. Qualquer cirurgia aumenta o risco de complicações, e múltiplas cesarianas pioram a situação.

O papel das doenças crônicas

Mas a melhor explicação é que mais mulheres americanas estão menos saudáveis quando engravidam e não procuram os cuidados necessários. Condições crônicas de saúde, como obesidade, hipertensão, diabetes e doenças cardíacas são cada vez mais comuns entre gestantes, tornando o parto mais perigoso. De fato, as causas tradicionais de morte relacionadas à gravidez, como hemorragia, tromboembolismo e pressão alta, têm caído nos últimos anos, enquanto as fatalidades por condições cardiovasculares e outros problemas crônicos vêm crescendo.

Além disso, para cada mulher que morre, cerca de 75 têm alguma emergência quase fatal durante a gravidez ou o parto devido a problemas como infartos, falha dos rins ou sangramento em profusão. Essas crises obstetrícias também cresceram muito nos últimos anos.

Fontes:
Economist-Exceptionally deadly

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