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SAÚDE

Por que algumas pessoas estão abolindo o uso do sabonete?

Um crescente número de pessoas está deixando de usar sabonete e confiando nas bactérias da microbiota da pele para fazer a limpeza

Por que algumas pessoas estão abolindo o uso do sabonete?
Um setor voltado para esse público vem ganhando força (Foto: lokmat)

O engenheiro químico David Whitlock não toma banho com sabonete há 15 anos, porém seu corpo não cheira mal. “Nos primeiros meses senti falta, mas depois me acostumei e sinto-me muito bem. Limpo partes específicas do meu corpo, mas nunca com sabonete, porque ele elimina as bactérias benéficas à saúde e remove a oleosidade natural da pele”, disse ele.

A importância do papel desempenhado pela microbiota intestinal no controle da produção de bactérias patogênicas, incentivou o interesse pela microbiota da pele. Isso levou algumas pessoas a abandonar o uso do sabonete e aumentar o consumo de alimentos e vitaminas probióticos, que contêm microrganismos cuja ingestão traz benefícios à saúde, inclusive à pele.  

A médica Sarah Ballantyne, autora da dieta Paleo, um guia de alimentos saudáveis e de estilo de vida, também não usa sabonete no banho, mesmo após suar na academia de ginástica. Ela está escrevendo um livro sobre microbiota humana e atribui o fato de suas axilas não terem cheiro à presença de microrganismos no corpo.

Segundo a dermatologista canadense Sandy Skotnicki, não há necessidade de usar sabonete no banho. “Em minha pesquisa para escrever o livro Beyond Soap, conversei com muitas pessoas que só lavam o corpo com água há anos e a pele está saudável e sem odor desagradável. O hábito de tomar banho todos os dias alterou a composição da microbiota cutânea, que protege o organismo contra doenças de pele.”

Whitlock decidiu se alimentar com produtos probióticos e não usar sabonete no banho, depois de fazer um experimento científico bem-sucedido de nitrificação da amônia presente no suor. A substância obtida demonstrou ser eficaz para eliminar o odor do corpo e proteger a pele de infecções.

Em 2013, Whitlock fundou a empresa AOBiome e lançou o spray probiótico Mother Dirt AO + Mist para a pele, um concentrado de bactérias de amônia nitrificada. O sucesso do spray incentivou-o a criar uma linha de produtos de beleza sem conservantes e detergentes. 

A AOBiome realiza experimentos clínicos com a substância usada no spray Mother Dirt para o tratamento de diversas doenças como acne, eczema, rosácea, rinite alérgica, hipertensão e enxaqueca.

De acordo com Michelle Strutton, uma analista da empresa de pesquisa de mercado Mintel, no período de 2015 a 2019, a participação dos produtos probióticos no setor de cosméticos aumentou mais de 300%. Empresas tradicionais como a britânica Gallinée, criada por uma farmacêutica francesa, e a americana La Flore, que em breve irá inaugurar um escritório em Londres, lançaram uma linha de produtos focados na microbiota da pele.

“Mas não há estudos que comprovem os efeitos prejudiciais do uso de sabonete na pele, nem que a ingestão de alimentos que contêm microrganismos traz benefícios à saúde. É uma área de pesquisa que ainda precisa de comprovação científica”, disse Julie Segre, especialista em microbiologia do National Institute of Health dos EUA. 

Fontes:
The Guardian-‘I don’t smell!’ Meet the people who have stopped washing

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