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O caso Assange

Por que exigir a extradição de Julian Assange?

A preocupação de que a extradição para a Suécia facilitaria a extradição para os EUA não é uma delírio paranoico do WikiLeaks

Por que exigir a extradição de Julian Assange?
Manifestante protesta em apoio a Assange em frenta à embaixada do Equador em Londres (Reprodução/Getty)

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Considerando que a sua reputação foi construída a partir do maior vazamento de documentos governamentais secretos da história, seria natural que houvesse pelo menos alguma preocupação residual sobre a segurança de Julian Assange nos círculos dos defensores da liberdade de informação.

Afinal, trata-se de um homem que ainda não foi acusado de crime algum, muito menos condenado, mas que, de acordo com a maior parte da imprensa britânica, não passa de um “narcisista monstruoso”, uma “praga sexual” e um “exibicionista maníaco”. A suposta razão para esse ódio deve-se, é claro, às tentativas de Assange de resistir à extradição para a Suécia por alegações de abuso sexual.

Mas alguém consegue acreditar sinceramente que a disputa teria se tornado global, ou que o governo britânico teria cometido a asneira de ameaçar suspender o status diplomático da embaixada do Equador e invadi-la, ou que vários policiais teriam cercado o prédio, se a razão real fosse um homem procurado por contestar alegações de abusos sexuais em Estocolmo? Ainda mais sabendo-se que em casos semelhantes a Suécia contentou-se em interrogar a pessoa onde estivesse, sem exigir extradição?

A fim de adquirir uma visão clara do que realmente está acontecendo, retornemos à bombástica divulgação do Wikileaks de relatórios militares secretos e centenas de milhares de telegramas diplomáticos, há dois anos. Previsivelmente, o governo norte-americano deixou claro desde o início que encarava o WikiLeaks como uma ameaça séria a seus interesses e classificou a divulgação de telegramas secretos como um “ato criminoso”.

O vice-presidente Joe Biden comparou Assange a um “terrorista high-tech”. Neoconservadores e comentaristas políticos propuseram a caça e a execução dele publicamente. Bradley Manning, o soldado de 24 anos acusado de repassar o maior conjunto de documentos para o WikiLeaks, tem sido mantido em condições descritas como “cruéis e desumanas” pelo relator da ONU sobre Tortura. Manning ficará encarcerado por até 52 anos.

Muito além de um complexo de perseguição

Na última semana o governo dos EUA afirmou que o fundador do Wikileaks está tentando desviar a atenção de suas acusações na Suécia ao fazer alegações extravagantes a respeito das intenções norte-americanas. No entanto, a ideia de que a extradição para os EUA é uma delírio paranoico do WikiLeaks é absurda.  Advogados da Virginia estão preparando um caso contra Assange e o Wikileaks por espionagem, e um vazamento no início do ano sugeriu que o governo já emitiu uma acusação secreta e selada contra Assange. Ademais, diplomatas australianos afirmaram que o fundador do Wikileaks é alvo de uma investigação cuja “natureza e escala são inéditas”.

Os defensores de Assange afirmam que há mais chances de ele ser extraditado para os EUA a partir da Suécia do que a partir da Inglaterra, uma vez que Estocolmo é uma subordinada diplomática dos EUA, notória por seus acordos de extradição parciais. Há riscos específicos na Suécia, como por exemplo o acordo de “rendição temporária” expressa que o país mantém com os EUA. Mas a questão verdadeira é que Assange corre o risco de ser extraditado em ambos os países, razão pela qual o Equador tem o direito de oferecer-lhe proteção.

Fontes:
The Guardia-Don't lose sight of why the US is out to get Julian Assange

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