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História Israelense Moderna

Por que Israel dificulta a reconciliação?

Enquanto o Irã ocupa o centro do palco, Netanyahu se esforça para frustrar a solução de dois estados

Por que Israel dificulta a reconciliação?
Livro de jornalista americano, pretende documentar a intransigência israelense em relação aos processos de paz (Reprodução/Internet)

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A fixação de Binyamin Netanyahu com o programa nuclear iraniano teve um efeito colateral positivo, ao menos para o primeiro ministro israelense. Enquanto o Irã ocupa o centro do palco, poucas pessoas cobram dele medidas a respeito do processo de paz Israel-Palestina. Enquanto isso, maiscasas estão sendo construídas em assentamentos israelenses localizados na Cisjordânia que são instalados lá justamente para frustrar a possibilidade de uma solução de dois estados.

Esta intransigência é uma das razões que torna a informativa nova história de Israel “Fortress Israel: The Inside Story of the Military Elite Who Run the Country – And Why They Can’t Make Peace” escrita por Patrick Tyler tão oportuna. Tyler, um reputado jornalista americano, pretende documentar a intransigência israelense em relação aos processos de paz desde os primeiros dias do estado judaico até agora. O mundo precisa ser recordado do conflito não resolvido e da contribuição de Israel para o impasse. O autor reconhece no início do livro que os estados árabes foram responsáveis pelo legado de ódio contra Israel, mas afirma que seu principal objetivo é “explicar com realismo e justiça como o impulso marcial na sociedade israelense e entre sua elite impossibilitou as oportunidades de reconciliação”.

Tyler apresenta o seu argumento detalhadamente. Ele escreve que, em 1982, “o impulso marcial que impeliu Menachem Begin, Ariel Sharion e o exército para o Líbano ignorou todos os alertas da história de que o poder militar não poderia reorganizar a complexa ordem política do Líbano. As fundações da paz e da coexistência com Israel só poderiam surgir a partir de uma resolução da questão palestina”.

Tyler divide os israelenses entre sabras e não sabras (tecnicamente, apenas judeus nascidos em Israel são sabras) e usa essa classificação como um distinção entre militaristas e moderados. No entanto, a sociedade israelense, incluindo sua elite militar, é muito mais complexa e cheia de nuances do que propõe a teoria central de Tyler. Até mesmo ele admite ter se surpreendido com o número de oficiais da reserva que defendem uma abordagemmais diplomática e preocupados com o fato de que o establishment militar está se tornando linha dura demais.

A maior parte do exército israelense, incluindo membros atuais e antigos, opõe-se a um ataque unilateral de Israel contra a ainda incompletabomba iraniana. É Netanyahu e vários de seus ministros não militares que são totalmente a favor do bombardeamento. O principal “ímpeto marcial” na política Israelense que milita contra a moderação e a paz não é o antigo“militarismo sabra” que Tyler ataca, mas sim um impulso cego para colonizar o território.

Fontes:
The Economist - Who holds the land

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1 Opinião

  1. Antonio Campos Monteiro Neto disse:

    Permitir um estado palestino implicaria desistir do controle sobre os mananciais do rio Jordão, o que, numa região carente de água, não seria uma boa decisão estratégica. Somente por meio de uma força externa Israel seria compelido a aceitar os palestinos como estado. Enquanto isso, eles seguem apátridas.

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