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EXTREMISMO

Por que o discurso nacionalista cresce na Hungria?

Suposta ameaça à identidade nacional tem sua parcela de responsabilidade, bem como o recuo de liberais

Por que o discurso nacionalista cresce na Hungria?
A questão da identidade ecoa no debate atual sobre os refugiados (Foto: Flickr/EPP)

Vicktor Orban deve ser reeleito primeiro-ministro da Hungria, neste domingo, 8. No dia 15 de março, um feriado nacional, ele defendeu o Magyar (grupo étnico associado aos húngaros) da onda de imigrantes, dos militantes islâmicos e dos planos em Bruxelas para cotas obrigatórias de migrantes. “É proibido dizer a verdade: que imigração traz crime e terrorismo, além de ameaçar nosso modo de vida, nossa cultura, nossos costumes e nossas tradições cristãs”, disse Orban. Durante a campanha, ele pouco falou sobre saúde, educação e economia.

A Hungria foi conquistada e ocupada pelos tártaros, turcos otomanos, nazistas e russos. As tentativas sem sucesso de revolta de 1703 e 1848 contra a Casa de Habsburgo e a Revolução de 1956 contras os soviéticos estão na lembrança nacional. A invasão nazista de 1944, quando o Estado da Hungria se mobilizou para enviar centenas de judeus para morrer, recebe menos atenção.

A questão da identidade ecoa no debate atual sobre os refugiados. Os húngaros gostam de se descrever como uma ilha Magyar num mar eslavo. Outros países na região compartilham uma história parecida de ocupação, mas falam línguas eslavas, que são compreendidas mutuamente, dando um senso de aliança cultural e linguística. Os Magyars se sentem como uma raça à parte, sua língua não tem relação com as línguas indo-europeias que os cercam.

O partido governante da Polônia, Lei e Justiça, é um aliado natural do Fidesz, compartilhando uma agenda similar. Na Polônia, a campanha nacionalista de Orban foi bem sucedida, em parte, por causa da postura da oposição. Os liberais recuaram de uma discussão mais profunda sobre os valores nacionais e da importância de uma história e de uma cultura compartilhadas, com medo de serem chamados de xenófobos ou racistas. Mas, fazendo isso, eles acabaram permitindo que Orban dominasse o cenário político.

Políticos do Fidesz e a mídia leal atacam George Soros, um filantropo que nasceu na Hungria, além da rede de ONGs e  organizações civis que sua fundação financia, o retratando como uma ameaça à sobrevivência da Hungria. Soros representa a globalização que Orban odeia.

Fontes:
The Economist-Why is Hungary turning to nationalism?

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