Início » Vida » Ciência » Por que o Microraptor foi extinto
Paleontologia

Por que o Microraptor foi extinto

É tentador conceber a evolução como um progresso contínuo e elegante em direção a organismos mais bem projetados. Na verdade, a evolução é cheia de becos sem saída, como revela um fóssil chamado Microraptor

Por que o Microraptor foi extinto
As quatro asas do Microraptor garantiam sua manobrabilidade (Reprodução/Economist)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Em algum momento durante o período Jurássico, um grupo de dinossauros adquiriu penas através do processo evolutivo. Estas podem ter tido a função de aquecer, adornar ou ambas. Certamente, elas não se destinavam inicialmente ao voo. Mas em uma linhagem desses dinossauros a evolução os modificou precisamente para esse propósito. Essa modificação desembocou, por meio do Archaeopteryx, uma espécie que viveu há 150 milhões de anos, nos pássaros.

No entanto, os dinossauros com penas não desapareceram apenas por terem dado origem aos pássaros. Eles sobreviveram até o fim do período Cretáceo, há 65 milhões de anos, quando todos os dinossauros foram eliminados. E muito antes disso, em uma parte do Cretáceo conhecida como Aptiano, há 120 milhões de anos, tudo aconteceu de novo, dessa vez na forma do Microraptor,  com a diferença que dessa vez o animal em questão tinha quatro asas em vez de duas.

A existência do Microraptor levanta duas perguntas: como exatamente ele usava suas quatro asas e por que não deixou nenhum descendente vivo? As respostas, de acordo com Michael Habib e Justin Hall da Universidade do Sul da Califórnia, estão ligadas.

Até recentemente, havia duas escolas de pensamento a respeito de como o Microraptor usava suas asas ao voar. Uma escola propunha que estas se assemelhavam a um avião biplano, com um par de asas sobre o outro durante o voo. A segunda escola sugeria que todas as quatro asas eram coplanares. Dr. Habib e Hall, no entanto, acreditam que ambas estão erradas. Eles enxergam uma divisão de trabalho entre os dois pares de asas. O par frontal, concordam, fornece a estabilidade. No entanto eles acreditam que o par traseiro tinha a função de manobrar.

As asas traseiras do Microraptor tinham um formato radicalmente diferente de suas asas dianteiras. Ao invés de serem flexíveis e graciosas, elas eram curtas e atarracadas. Mas dr. Habib e Hall demonstraram, com o uso de um modelo computacional das asas, que elas teriam funcionado bem como um leme. Isso sugere que elas permitiriam que o a animal reduzisse o raio de seu círculo de curva em 40% e triplicasse a velocidade da curva.

Porque, então, tal modelo ideal de animal alado não é ancestral de nenhum animal moderno? Uma possibilidade seria a má sorte. A extinção em massa ao fim do período Cretáceo foi causada por uma colisão entre a Terra e um asteroide ou cometa. Embora alguns grupos de animais tenham se saído melhor que os outros, a sobrevivência era em geral aleatória. No entanto, os registros fósseis não provam que qualquer animal semelhante ao Microraptor tenha conseguido chegar ao fim do Cretáceo. Eles provavelmente entraram em extinção bem antes disso.

Dr. Habib propõe que a característica que determinou a extinção do Microraptor foi o que ele chama de taxa de resistência. Seu modelo sugere que a manobrabilidade que suas asas traseiras garantiam ao animal impunham um aumento de atrito. Os pássaros de hoje em dia não pagam a taxa de resistência porque sua manobrabilidade se deve a um único par de asas que conseguem lidar melhor com a tensão do que era o caso das asas do Microraptor. Essa resistência à tensão é fornecida por músculos que são ligados a uma extensão em forma de quilha do esterno. O Microraptor não contava com esta quilha

De acordo com dr. Habib, os pássaros adaptados para o voo em ambientes florestais são capazes de fazer as mesmas curvas que o Microraptor fazia, mas com uma perda de muito menos energia devido à resistência. Ele argumenta que isso tornou o voo dos pássaros mais eficientes – e isso teria tornado a competição impossível para o Microraptor .

Fontes:
The Economist-Four wings, good. Two wings, better

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *