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Diplomático ou lunático?

Por que o novo presidente egípcio optou por visitar China e Irã primeiro?

Decisão de Muhammad Morsi parece uma clara alfinetada nos Estados Unidos, que fornecem ao Egito bilhões de dólares em ajuda anualmente

Por que o novo presidente egípcio optou por visitar China e Irã primeiro?
O novo presidente egípcio, recebe honrarias junto ao presidente chinês Hu Jintao (Reprodução/AFP)

Nas palavras de um conselheiro sênior de política externa para o governo chinês, a atitude oficial na China quanto à Primavera Árabe pode ser resumida muito simplesmente: “Desde que começou, tudo que eles querem é mantê-la o mais longe possível da China”. Nesta quarta-feira, 29, no entanto, a China acolheu com entusiasmo um dos principais beneficiários da Primavera Árabe no Egito, o recém-eleito presidente Muhammad Morsi, em visita oficial a Pequim pelos próximos dois dias.

A decisão do egípcio de presentear a China com a sua primeira visita oficial de longa distância (ele já visitou seus vizinhos Etiópia e Arábia Saudita), a ser seguida imediatamente por uma breve passagem pelo Irã, parece uma clara alfinetada nos EUA, que fornecem ao Egito anualmente bilhões de dólares em ajuda, numa busca desesperada para manter a influência norte-americana naquela região, apesar de mudanças no governo.

O fato de que Morsi pertence à Irmandade Muçulmana pode ser desconfortável para Pequim. Uma das muitas ameaças potenciais para a estabilidade da China é a tensão entre seus habitantes da etnia uigur, uma minoria muçulmana da província de Xinjiang, e os chineses da etnia han, que são maioria no país . A tensão entre os dois grupos é alta, e a violência eclodiu em muitas ocasiões. Em julho de 2009, cerca de 200 pessoas morreram em tumultos na região de Xinjiang. Outra dúzia foi morta em fevereiro deste ano. Deste modo, mesmo que a China compartilhe as preocupações internacionais sobre o novo governo islâmico do Egito, a China só tem a ganhar ao fazer amizade com os vitoriosos da Primavera Árabe pelo maior tempo possível.

A China tem a ganhar de maneiras mais concretas também. Qualquer esforço por parte de Morsi para desmamar o Egito de sua dependência na ajuda dos EUA pode criar um espaço que a China poderia facilmente preencher.

Laços mais fortes com o Egito podem fornecer à China uma posição de vantagem no Mediterrâneo, e isso inclui, hipoteticamente, acesso a um porto. Morsi pode também oferecer acesso prioritário para navios de guerra chineses no Canal de Suez, o que é tradicionalmente oferecido aos EUA. Este privilégio seria particularmente atraente para a China, que considera uma necessidade cada vez mais importante proteger seus investimentos na região do Mediterrâneo e do Mar Negro.

 

Fontes:
Economist - Belated blossoms

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1 Opinião

  1. Beraldo Dabés Filho disse:

    O texto é a resposta à pergunta que o autor faz, sob a forma de título da sua matério. Como dizia um antigo humorista, “quem sabe a resposta não faz a pergunta”.
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