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MUDANÇAS NO MEDITERRÂNEO

Por que o número de imigrantes que chega à Itália está caindo?

Até 22 de agosto deste ano, 2.745 migrantes ilegais desembarcaram na Itália, em comparação com 21.294 em agosto do ano passado

Por que o número de imigrantes que chega à Itália está caindo?
Em julho, o número diminuiu mais de 50% em relação ao ano passado (Foto: The Italian Coastguard/Massimo Sestini)

As últimas semanas mostraram uma mudança no padrão de migração ilegal no Mediterrâneo. Um acordo no ano passado entre a União Europeia (UE) e a Turquia fechou a rota para a Grécia. Como resultado, a Itália recebeu mais de 100 mil migrantes em 2016, a maioria vinda da Líbia. Agora, o fluxo de migrantes mudou de rota. Em julho, o número diminuiu mais de 50% em relação ao ano passado. A redução em agosto foi ainda mais acentuada. Até 22 de agosto, 2.745 migrantes ilegais desembarcaram na Itália, em comparação com 21.294 em agosto do ano passado. No entanto, na Espanha a migração ilegal aumentou. Em 16 de agosto, mais de 600 migrantes foram resgatados, o maior número em um único dia desde 2014. O que provocou essa mudança?

Várias explicações tentaram elucidar o motivo da alteração da rota. A Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) da UE apontou a instabilidade do clima, o aumento da vigilância da guarda costeira da Líbia e a violência na cidade líbia de Sabratha, o principal centro de operação dos traficantes de pessoas. Outros citaram o controle mais rigoroso da Itália. O governo italiano forneceu equipamentos e treinou a guarda costeira da Líbia, e seus navios patrulham a costa. A Itália deu dinheiro a tribos no sul da Líbia para bloquear o fluxo de migrantes que fogem do país por razões econômicas ou perseguições políticas. E impôs restrições às ONGs que fazem operações de busca e salvamento na costa líbia.

Um relatório da Reuters na semana passada deu uma explicação diferente, embora não incompatível. O grupo Brigada 48 da cidade de Sabratha estava impedindo a saída dos migrantes. Nesse caso, a redução do número de migrantes seria temporária. Desde a queda do ditador Muammar Gaddafi, o território da Líbia é controlado por diversos grupos armados extremamente competitivos. A ascendência de um grupo específico, como o da Brigada 48, em geral não se prolonga por muito tempo.

A decisão de atribuir a responsabilidade do policiamento do Mediterrâneo à Líbia foi recebida com entusiasmo pela Itália e os demais países da UE. O argumento mais convincente a seu favor é que impede que as pessoas arrisquem suas vidas no que a Organização Internacional para as Migrações (OIM) chama de “a rota de migração mais perigosa do mundo”, onde quase 15 mil pessoas morreram desde 2014.

Porém, existem duas objeções a essa atribuição. Em primeiro lugar, os migrantes que fogem das condições miseráveis de vida em seus países constituem uma maioria, mas uma minoria significativa foge de perseguições políticas, muitas vezes na Líbia. Confinar essa minoria em território líbio significa negar aos migrantes o direito de requerer asilo. A segunda objeção refere-se às condições terríveis dos acampamentos líbios de refugiados. Jornalistas alemães que visitaram um acampamento de mulheres em junho disseram que uma migrante contara que havia sido estuprada inúmeras vezes e que tinha “mostrado as roupas manchadas de sangue”. Um relatório da ONU divulgado no ano passado descreveu as condições como  “desumanas”. Não surpreende que os migrantes arrisquem suas vidas no mar, agora em direção à Espanha.

Fontes:
The Economist-Why are fewer irregular migrants arriving in Italy?

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1 Opinião

  1. Daniela Villa disse:

    Proponho que os europeus terminem o que começaram no século XV – a vinda para o Novo Mundo – e deixem aquilo lá para as hordas de bárbaros. Há bastante espaço na Amazônia e no Canadá (para os mais calorentos) e lá na Europa tudo tem cheiro de mofo.

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