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Apaziguando angústias

Por que o Super-homem é importante?

Filme é estranhamente otimista, e o é exatamente da maneira necessária para apaziguar algumas das angústias americanas mais profundas

Por que o Super-homem é importante?
Desde seu surgimento, em 1938, esta é a enésima vez que Hollywood recorre ao homem-de-aço pra estimular o otimismo nos EUA (Reprodução/Internet)

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Se Hollywood tiver apenas um pouco de razão quanto ao clima dos EUA, os ricos e poderosos estão com um problema. Os filmes que estreiam no meio do ano estão repletos de desconfiança contra as classes dominantes. Um (“Guerra Mundial Z”) trata de uma pandemia que derruba governos e faz que os EUA declarem a lei marcial. Outro (“Elysium”) retrata uma elite egoísta que se refugiou em um paraíso fortificado que orbita o planeta e deixou os outros 99% sofrendo em uma Terra favelizada. Em um terceiro (Jogos Vorazes: Em Chamas) políticos opulentos circulam em uma cidade muito parecida com Washington, oprimem as massas e fazem com que jovens se matem uns aos outros em um reality show.

Um filme apresenta algo a se comemorar: o novo do Super-homem, “Homem de Aço”. É verdade que os EUA são retratados como um país fraco que está sendo invadido por alienígenas que destroem Metropolis (uma cidade extremamente parecida com Manhattan). No entanto, o filme é estranhamente otimista, e o é exatamente da maneira necessária para apaziguar algumas das angústias americanas mais profundas.

Trata-se da enésima vez, desde seu surgimento em 1938, que o Super-homem realiza essa façanha. Embora seja uma figura maçante e pudica – apelidado de Grande Escoteiro Azul por seus detratores – ele se mantém em evolução permanente para atender às necessidades emocionais de seu lar adotivo. Na Segunda Guerra Mundial ele combateu os nazistas. Na Guerra Fria confrontou vilões com bombas atômicas. Na versão arrasa quarteirão de 1978 estrelando Cristopher Reeve, enfrentou uma onda de crimes urbanos, sendo que seu heroísmo continha a dose exata de ironia camp para conquistar o cínico público pós-Watergate e pós-Vietnã.

Todo um setor acadêmico se desenvolveu em torno do Super-homem. Ecos de Moisés foram detectados em sua solitária jornada rumo ao planeta Krypton quando era um bebê. Os fãs também perceberam analogias ente o personagem e Jesus Cristo (especialmente explícitas no filme mais recente).Larry Tye, biógrafo do Super-Homem, afirmou que, via de regra, o personagem“vai bem quando os EUA vão mal”.  Trata-se de um herói para tempos difíceis.


Texto da revista Economist editado para o Opinião e Notícia

Tradução: Eduardo Sá

Fontes:
The Economist-Cape of good hope

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