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Segunda Guerra Mundial

Por que os EUA hesitaram em entrar na guerra

'Angry Birds' revela os bastidores da tensa campanha britânica para trazer os EUA para a guerra

Por que os EUA hesitaram em entrar na guerra
Livro retrata um país contra a guerra (Divulgação)

Quando os britânicos querem afirmar uma relação especial com os EUA, nada se compara ao poder talismânico da Segunda Guerra Mundial. A Grã-Bretanha, durante dois anos aterrorizantes após ter declarado guerra à Alemanha, não sabia que os EUA acabariam por alinhar-se ao país. A Grã-Bretanha fez um esforço extraordinário para fazer com que os EUA entrassem na guerra antes que fosse tarde demais. Unindo a meticulosidade do historiador à sensibilidade do biógrafo para a natureza humana, o magnífico novo livro de Lynne Olson mostra como a campanha britânica para conquistar os EUA foi tensa

Those Angry Days” descreve um momento pouco lembrado em que os Estados Unidos se encontravam divididos ao longo dos anos dourados que se seguiram para as gerações daquela época. Ela retrata um país contra a guerra em que bares próximos a bases militares exibiam cartazes que proibiam a presença de soldados, e generais tinham que ir à paisana ao Capitólio testemunhar para não melindrar membros isolacionistas do Congresso.

Em defesa daquele pacifismo, ela explica que os americanos sentiam (com alguma razão) que o seu país havia sido arrastado para a Primeira Guerra Mundial por propagandas britânicas engenhosas e promessas de que os americanos mortos nos lamaçais europeus estavam garantindo a “segurança da democracia” no mundo. Muitos americanos acreditavam, vinte anos depois, que as nações europeias em conflito não tinham a disposição ou a capacidade para defender a democracia. Uma posição menos defensável é a de figuras importantes – militares, senadores, magnatas da imprensa ou estudantes de Yale e Harvard – que são mostradas questionando a existências de uma grande diferença moral entre a Grã-Bretanha e a Alemanha nazista, posição que em geral se fundamentava em antissemitismo.

No fim, o público estava à frente de muitos integrantes da elite. Mesmo antes de Pearl Harbor, pesquisas de opinião mostravam que os americanos preferiam que o país entrasse para a guerra a uma vitória alemã contra a Grã-Bretanha. O Japão esperava que suas bombas desmoralizariam os americanos. Em vez disso, os EUA se uniram graças ao ataque. Dois anos de um debate feroz já haviam divulgado todos os argumentos contra e a favor da guerra, observa Olson. A democracia era o ponto forte americano, conforme a Grã-Bretanha esperava. Tratava-se de uma vantagem que inimigos despóticos nunca entenderiam.

 

*Texto adaptado e traduzido da Economist por Eduardo Sá

 

Fontes:
The Economist - That Special Relationship

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3 Opiniões

  1. Carlos U. Pozzobon disse:

    Estes anos são os piores. Apesar de venerado hoje, Roosevelt foi um péssimo presidente neste período e até um pouco antes. Ninguém gosta de falar da insensibilidade americana para com o resto do mundo, especialmente a Rússia de Stálin, mas neste ponto Roosevelt foi uma tragédia. Ele foi popular pela recuperação econômica dos EUA. Mas a Inglaterra sofreu sozinha….

  2. Roberto1776 disse:

    E pensar que a segunda guerra mundial nem precisava ter acontecido. Bastava o tratado de Versailles ter sido melhor redigido. O fim de um conflito precisa ser muito bem pensado por quem está por cima.
    Um grande exemplo de conflito mal resolvido foi a lei de anistia dos militares.
    Como é que passou pela cabeça deles anistiar terroristas?
    Hoje vivemos aterrorizados por terroristas nos mais altos cargos do governo que não descansarão enquanto não estabelecerem no Brasil uma ditadura cubana. Eles não respeitam nem o Supremo Tribunal Federal. Caso clássico de pular da frigideira para o fogo.

  3. Kalil Saliba disse:

    A União Sovietica sob a direção de Stalin foi a protagonista da maior resistençia ao Exercito Nazista. A derrota nazista em Leningrado começa o desmoronamento da arquitetura do 3 Reich. Supresa para Hitler e os Aliados que viam na figura de Stalin uma ameaça permanente a seus planos de cobiça de expansão no Oriente e outras regiões. A União Sovietica sob a direção de Stalin sobe conduzir para as forças pogressista grande vitoria nas negociações de Yalta. E sob sua direção o socialismo avançou em todo o mundo.A União Sovietica e o nome de Stalin são sonegados em varios documentarios filmes e artigos, é como se não existissem. É claro que so de ouvir falar o nome de Stalin os reaçionários de todo o mundo vociferam e rangem os dentes.

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