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Caso Germanwings

Por que pilotos ainda são necessários?

O piloto e autor Patrick Smith defende que substituir uma pessoa por um computador ou um pilto remoto não é a melhor maneira para prevenir outro Andreas Lubitz

Por que pilotos ainda são necessários?
As pessoas podem se surpreender com o quão ocupado uma cabine de piloto pode tornar-se num voo mais rotineiro, mesmo com toda a automação (Reprodução/Pixabay)

Nas duas semanas desde a queda do voo 9525 da Germanwings, não faltaram comentários sobre as falhas e sobre o futuro dos pilotos na aviação. Os aviões já são muito automatizados e é só uma questão de tempo para que os próprios pilotos sejam desnecessários dentro do avião. Este é o assunto abordado em um artigo do New York Times. O piloto Patrick Smith  e autor de “Cockpit confidential” defende que substituir uma pessoa por um computador ou um piloto remoto não é a melhor maneira de prevenir outro Andreas Lubitz.

Segundo ele, o problema com essa linha de pensamento é que começa com uma falsa premissa: a ideia de que os aviões são máquinas tão automatizadas que os pilotos simplesmente só servem para casos de emergência. De fato, a noção de que aviões automáticos “voam sozinhos” talvez seja o grande mito da aviação.

É verdade que, nos dias de hoje, os pilotos passam apenas um curto período de tempo com as mãos sobre o painel de controle. Mas isso não significa que eles  não estão controlando o avião durante todo o voo. As mãos podem não estar dirigindo o avião diretamente, como acontecia há décadas, mas quase tudo no avião é comandado, de um jeito ou de outro, pela tripulação. A automação só faz o que a tripulação diz para fazer.

Paralelo na medicina

A melhor analogia é a medicina moderna. A automação das cabines de piloto os auxilia da mesma forma que os robôs e outros equipamentos médicos avançados ajudam cirurgiões. Isto melhorou as capacidades médicas, mas um avião não voa sozinho como uma sala de operação também não realiza uma operação de quadril por si só.

Essa ilusão é talvez sintomática da nossa paixão por tecnologia, além da crença de que podemos “computadorizar” qualquer problema. A proliferação de aviões-robô também torna mais fácil imaginar um mundo de aviões de passageiros controlados remotamente. Na verdade, a Boeing já adquiriu a patente de um sofisticado sistema de piloto automático, operado remotamente.

Mas, até agora, essas coisas existem apenas em estágios experimentais. Um número significativo de voos de teste bem-sucedidos não prova a viabilidade de um sistema que leva até quatro milhões de passageiros todos os dias ao redor do mundo. Além disso, os aviões-robô têm missões completamente diferentes das dos aviões comerciais, com muito menos em jogo, caso ocorra uma queda.

Segundo o autor, a ideia de tentar lidar com uma emergência séria a milhares de quilômetros de distância é a coisa mais assustadora que ele pode imaginar.

 

 

Fontes:
The New Work Times-Why Pilots Still Matter

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