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Alguns comentários navais:
A Marinha do Brasil não precisa e nunca precisou de um Porta Aviões. O Minas Gerais fez parte do mapa do Rio de Janeiro, pois vivia ancorado na Baia de Guanabara. Agora temos o Marechal Foch transformado em São Paulo que seguramente seguirá a mesma sina e acabará desmontado em alguns anos.
Entendo que nossas Forças Armadas deveriam ser totalmente reformuladas, com os seguintes princípios:
a) Todos os equipamentos deveriam ser produzidos no Brasil e com tecnologia avançada desenvolvida no Brasil. Cria-se uma política de desenvolvimento tecnológico com base em encomendas militares ( é a base do desenvolvimento tecnológico norte americano).
b) A Marinha deveria ter uma flotilha de 10 submarinos nucleares no patrulhamento da costa e uma Guarda Costeira para atuar realmente como Polícia Marítima, evitando abusos de lanchas, contrabando, tráfico etc. Esta Guarda Costeira atuaria tambem no patrulhamento de nossas vias de navegação interior ( Tietê Paraná e Amazônia). Todo o corpo deveria ser profissional, não mais existindo Serviço Militar Obrigatório
b) O Exército teria unidades menores de infantaria aerotransportada, e de blindados localizados mais no interior no controle de fronteiras. Também seria profissional e extremamente bem treinado e equipado. Fim do Serviço Militar.
c) A Aeronáutica teria esquadrilhas de caça produzidos no Brasil, responderia pela aviação de transporte do governo e de cargas em emergências e ficaria responsável pelo programa do veículo lançador de satélites e mísseis de médio alcance.
Com isto teríamos Forças Armadas enxutas, profissionais, de alta tecnologia e com custos muito inferiores aos atuais.
(Opinião do leitor Cristiano Kok, engenheiro e executivo, em 16/02/06, por e-mail)
Quanto ao artigo sobre o porta-aviões, acredito que o real debate vai muito além de ser ou não uma sucata a nobre banheira ancorada no porto de Rio. Minha tese é a de que o papel das forças armadas precisa ser completamente revisto. No passado, em função da simplicidade tecnológica em torno da atividade bélica, praticamente qualquer país podia se dar ao luxo de montar forças armadas que tivessem utilidade na defesa da inviolabilidade de suas fronteiras. No atual estágio tecnológico da guerra, nenhuma nação tem qualquer chance de montar um aparato bélico equiparável à máquina de guerra que os americanos desenvolveram. E mais, seria absolutamente inútil tentar fazer isto, porque até mesmo para a nação hegemônica as forças armadas são um brinquedo inútil e imensamente caro. Como foi perfeitamente demonstrado nos conflitos ocorridos nas últimas tres décadas, a guerra não é mais decidida no campo de batalha. O exército americano, com relativa facilidade, invadiu o Viet-Nam que não dispunha de poderio militar convencional para resistir. Mas a guerra de verdade só começou depois da invasão. E foi quase uma década de atoleiro para os americanos que, ao final, foram enxotados de lá com o rabo entre as pernas. O mesmo aconteceu com os russos no Afeganistão e, pouco tempo depois, as aventuras dos americanos tanto no mesmo Afeganistão quanto no Iraque, viraram, de novo, atoleiros sem saída.
Se é assim a maneira como hoje se desenvolvem as guerras, qual o sentido de manter forças armadas que nem são capazes de garantir nossas fronteiras nem estão preparadas para, depois da improvável invasão, infernizar a vida do invasor? No caso brasileiro, um detalhe relevante deve ser focalizado: cerca de 80% do nosso orçamento militar vão para o pagamento de aposentadorias e pensões. Ou seja, nossas forças armadas rapidamente se transformaram num imenso INSS, cuja conta, em breve, não teremos como pagar.
(Opinião do leitor Carlos Salles, executivo, em 17/02/06, por e-mail)
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