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A possível demissão de Jeff Sessions

Trump avalia o custo político de demitir Jeff Sessions, depois de ter sido acusado de obstrução da justiça ao demitir James Comey

A possível demissão de Jeff Sessions
Sessions decidiu afastar-se da investigação da interferência russa nas eleições, o que irritou profundamente Trump (Foto: Flickr/Gage Skidmore)

Talvez a única razão para duvidar que Donald Trump tenha a intenção de demitir o secretário de Justiça, Jeff Sessions, a fim de se proteger e a seus assessores da investigação da interferência da Rússia nas eleições presidenciais é sua sinceridade. Em 25 de julho, Trump disse em uma de suas mensagens no Twitter que Sessions, um dos primeiros a apoiar com entusiasmo sua campanha presidencial, estava demonstrando uma atitude “MUITO fraca” diante de suas responsabilidades. Ao lhe perguntarem se pretendia demiti-lo, respondeu: “O tempo dirá.”

Em março, após ter sido acusado de não revelar os encontros mantidos com o embaixador russo, Sergey Kislyaks, durante a campanha, Sessions decidiu afastar-se da investigação da interferência russa nas eleições, o que irritou profundamente Trump.

Como resultado da decisão de Sessions, a investigação está sendo realizada por um promotor independente, Robert Mueller, um ex-diretor do FBI com reputação de integridade e rigor em sua conduta profissional, depois que Trump demitiu James Comey do cargo de diretor do FBI em maio.

Após a divulgação de e-mails de Donald Trump Jr. a respeito do encontro que tivera na Trump Tower acompanhado do cunhado, Jared Kushner e do então chefe de campanha, Paul Manafort, com uma advogada russa, que queria revelar informações comprometedoras sobre a candidata democrata Hillary Clinton, a pressão no Congresso aumentou. Em 24 de julho, Kushner depôs no Comitê de Inteligência do Senado. No dia seguinte, ele prestou depoimento no Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados. Em uma declaração anterior aos seus depoimentos, Kushner negou qualquer tipo de conluio com a Rússia nas eleições presidenciais. Paul Manafort, por sua vez, suspeito de ter contraído uma dívida no valor de US$17 milhões quando trabalhava para um partido pró-Rússia na Ucrânia, pouco antes de ser contratado por Trump, depôs em sessão fechada no Comitê de Inteligência do Senado. Manafort eDonald Jr. serão interrogados em breve na Comissão Judiciária do Congresso.

Embora tenham acelerado as investigações, é pouco provável que os três comitês do Congresso cheguem a uma conclusão antes de Mueller. Mas dada a importância do Congresso, Trump sabe que o pedido de afastamento de Mueller, depois da demissão de Sessions, provocaria uma reação extremamente negativa por parte dos parlamentares. Talvez, por isso, tenha dito a frase “O tempo dirá” quanto ao futuro do secretário de Justiça, por mais que receie o alcance das descobertas do ex-diretor do FBI.

 

Fontes:
The Economist-Jeff Sessions is in peril; so is America

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