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Aquecimento Global

Degelo ameaça afundar povoados do Alasca no oceano

A visita do presidente Obama à Alasca não impedirá a catástrofre ambiental que ameaça os povoados nativos do litoral do estado

Degelo ameaça afundar povoados do Alasca no oceano
Trinta povoados da população nativa da costa do Alasca estão prestes a desaparecer nas águas geladas (Foto: Wikipedia)

O ritmo do aquecimento do Ártico é duas vezes mais rápido do que no resto do mundo; a camada de gelo do mar no verão diminuiu mais de 40% nos últimos 36 anos. Desde que os Estados Unidos compraram o Alasca da Rússia no século XIX, o nível médio do mar subiu mais de 20 centímetros e deverá subir ainda mais 30 centímetros até 2050.

Trinta povoados da população nativa da costa do Alasca estão prestes a desaparecer nas águas geladas; 12 têm planos de mudar para outros lugares. Como o gelo do mar derrete mais cedo e se forma mais tarde, os níveis dos mares Chukchi e Bering e do oceano Ártico (que cercam o Alasca) têm aumentado. As tempestades são mais fortes e, em consequência, causam mais danos porque o gelo não protege o litoral como antes. E o degelo da camada de terra congelada onde muitos vilarejos são construídos agrava a situação, com o risco de afundamento de casas e a liberação de metano na atmosfera.

“O clima está mudando mais rápido que nossos esforços para minimizar os efeitos do aquecimento global”, disse Barack Obama em uma conferência sobre mudança climática no Ártico realizada em 31 de agosto. Lee Stephan, presidente do Conselho Tribal de Eklutna, um povoado nativo, concordou: “Se todo o gelo da Mãe Terra derreter viveremos submersos.”

Os gases do efeito estufa têm sérias implicações nas alterações climáticas; os EUA produzem 15% das emissões globais de dióxido de carbono. No entanto, os habitantes do Alasca beneficiam-se com a extração do petróleo e gás do estado. O setor de petróleo e gás é responsável por um terço dos postos de trabalho e a arrecadação de impostos cobria 90% das despesas do estado. Porém com a queda nos preços o Alasca agora enfrenta um déficit de US$3,5 bilhões.

Quando o maior campo de petróleo dos EUA foi descoberto na baía de Prudhoe em 1968, o governo federal teve de fazer acordos territoriais com as comunidades nativas para construir oleodutos em direção ao sul. As comunidades receberam 178.062 km2 de terras, US$1 bilhão e ações de 12 empresas regionais, além de 200 vilarejos criados por uma lei promulgada em 1971. Treze empresas regionais comprometeram-se a gerar lucros para seus acionistas e, ao mesmo tempo, assumiram o compromisso de proteger as sociedades e culturas nativas do Alasca.

Os lucros das empresas locais ajudam a custear os serviços de assistência social e de saúde. Mas as empresas não têm condições de ajudar as comunidades afetadas por inundações, nem de conceder benefícios aos acionistas que não ofereçam a todos os outros em áreas ameaçadas.

Barack Obama foi o primeiro presidente dos Estados Unidos a visitar o Alasca, um dos 50 estados dos EUA e o maior em extensão territorial. A viagem de Obama encerrou-se com a ida a Kotzebue em 2 de setembro, um povoado com uma maioria de habitantes nativos.  A visita do presidente pretende ser um estímulo às iniciativas de salvar os vilarejos ameaçados pelos desastres ambientais provocados pelo aquecimento global.

Mas o dinheiro precisa ser gerado pelas agências federais no Alasca. O orçamento do governo dos EUA para 2016 não cobrirá o reassentamento de nem mesmo um único povoado ameaçado por tempestades e inundações. Porém, por sua vez, diante do déficit orçamentário causado pela queda do preço do petróleo, a ajuda do governo  federal será cada vez mais vital na luta contra a degradação do meio ambiente no Alasca.

Fontes:
The Economist - Tales of Atlantis

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