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DESAFIO POLÍTICO

Prefeito de Toronto quer melhorar transporte público

John Tory quer melhorar o sistema de transporte público, mas suas propostas, como outras anteriores, podem não ser aprovadas

Prefeito de Toronto quer melhorar transporte público
Apesar de ser uma boa cidade para se morar, o transporte público é um problema (Foto: Wikimedia)

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Toronto é considerada uma das cidades mais agradáveis para viver no mundo. Os amantes da diversidade são atraídos pela maior metrópole do Canadá. No entanto, os nativos de Toronto que mudaram para outros lugares resistem à ideia de retornar à cidade natal. John Tory, o prefeito da cidade que tentou atraí-los de volta, disse que eles têm dois principais motivos para dizer não. O primeiro é que o mercado de trabalho oferece melhores oportunidades em lugares como Londres e Hong Kong. O segundo é a precariedade do transporte público em Toronto.

O sistema de metrô de Toronto pouco mudou desde 1966, o ano em que a linha que liga as áreas leste e oeste da cidade foi acrescentada à linha em forma de U, que faz o trajeto norte-sul. Em 2003, em um ranking de sistemas de metrô elaborado pela OCDE em 46 cidades, Toronto ficou em 43º lugar, com apenas 19 km de linhas por quilômetro quadrado. A cidade também não teve sucesso em construir estradas.

Tory é o último de uma longa lista de prefeitos que prometeram melhorar o transporte público na cidade. Seu plano, intitulado SmartTrack, tem como objetivo a construção de uma nova linha férrea inspirada no Crossrail de Londres e do acréscimo de seis estações às linhas ferroviárias existentes. Ele pretende financiar esse projeto e outros na área de transporte com a cobrança de pedágio em duas autoestradas, que conectam a periferia da cidade ao centro urbano. Essa cobrança arrecadaria C$200 milhões (US$152 milhões) por ano. Os governos federal e provincial contribuiriam com mais dinheiro.

A proposta de cobrança de pedágio é audaciosa. Antigos prefeitos recusaram-se a financiar projetos na área de transporte. Nenhum ousou se indispor de uma maneira tão direta com proprietários de carros que moram na periferia da cidade. O prefeito Rob Ford, que morreu em 2016, era um inimigo ferrenho de qualquer medida que pudesse ser interpretada como “uma guerra aos automóveis”. O conselho municipal apoiou a sugestão da cobrança de pedágio de Tory em 13 de dezembro. Agora, ele espera a aprovação de Ontário, a província mais populosa do Canadá onde se localiza a cidade de Toronto.

Mas a história sugere um futuro pouco promissor para o projeto SmartTrack e a cobrança de pedágio. Projetos anteriores fracassaram em razão da recusa das províncias em custeá-los ou por causa do desinteresse dos conselhos municipais recém-eleitos. Em 1995, um novo governo provincial parou abruptamente a construção de uma linha de metrô e refez a obra de escavação do túnel. Kathleen Wynne, a primeira-ministra de Ontário, pretende se reeleger no próximo ano em uma batalha dura com seus adversários e, portanto, é provável que não queira cobrar pedágio dos motoristas.

Três problemas de governança dificultam o funcionamento da infraestrutura de transporte. O primeiro é a ausência de um sistema partidário na municipalidade de Toronto. No conselho municipal composto por 45 membros o prefeito é apenas o primeiro entre iguais. Suas propostas precisam obter o apoio da maioria dos conselheiros, cada um deles lutando por seus interesses ou de seus colegas. Sem uma disciplina partidária, o apoio a projetos extingue-se a cada eleição.

Em segundo lugar, a responsabilidade pela administração do trânsito é compartilhada entre a cidade, a província e o Metrolinx, o órgão governamental que administra o sistema de transporte ferroviário. Mas, segundo Matti Siemiatycki, da Universidade de Toronto, os três responsáveis pelo trânsito não têm uma boa coordenação. Por fim, o governo federal oferece subsídios às cidades para custear projetos caros, mas sem resultados práticos. Os críticos citam o apoio federal ao projeto de construção de uma linha de metrô de 6 km, com o custo de C$3,2 bilhões e uma única estação.

Fontes:
The Economist-Toronto’s mayor tries to improve transport

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1 Opinião

  1. Francisco Taborda disse:

    Lá como cá, más fadas há.

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