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Premiê da Nova Zelândia promete mudar lei das armas

Afirmação foi feita após ataque a tiros a mesquitas. Em comparação com outros países, as leis neozelandesas são consideradas brandas

Premiê da Nova Zelândia promete mudar lei das armas
As armas do atentado foram adquiridas legalmente (Foto: Reprodução/Jacinda Ardern/Facebook)

Após ataques a duas mesquitas que deixaram 49 mortos, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, prometeu modificar a legislação das armas no país. A afirmação foi feita na manhã deste sábado, 16. A premiê, no entanto, não deu detalhes sobre quais mudanças vão ocorrer.

Todas as armas usadas pelo suspeito do atentado, identificado como Brenton Tarrant, um australiano de 28 anos, foram compradas legalmente a partir de dezembro de 2017. O suspeito adquiriu a licença para armas de fogo em novembro de 2017.

“Havia cinco armas usadas pelo perpetrador primário.Havia duas armas semi-automáticas e duas espingardas. O agressor estava de posse de uma licença de porte de armas. […] Enquanto o trabalho está sendo feito quanto à cadeia de eventos que levam tanto a posse desta licença de arma e a posse dessas armas, eu posso dizer uma coisa agora: nossas leis de armas vão mudar”, prometeu a premiê.

O atentado ocorrido na última sexta-feira, 15, foi o maior em três décadas. Em 1983, um homem chamado David Gray matou 13 pessoas. Após aquele incidente, as leis das armas já haviam sido criticadas, passando por uma mudança em 1992. Após isso, mesmo com uma sugestão em 1997, as leis permaneceram praticamente inalterada.

Mesmo com modificações, a legislação sobre as armas na Nova Zelândia são consideradas brandas em comparação com outros países. No país, apesar dos proprietários precisarem de uma licença, eles não têm obrigação de registrar as armas, diferente do que acontece na Austrália. Para comprar armas na Nova Zelândia, o cidadão precisa ter mais de 16 anos e passar por verificação de antecedentes.

De acordo com o professor universitário e fundador do GunPolicy.org, Philip Alpers, entre os países desenvolvidos, apenas Estados Unidos, Nova Zelândia e Canadá não exigem o registro de armas de fogo. Segundo o GunPolicy.org, 79 países das Nações Unidas exigem o registro de armas.

Devido a falta de registro, não é possível ter um controle sobre a quantidade de armas de fogo em circulação na Nova Zelândia. Porém, de acordo com a polícia do país, estima-se que existam 1,2 milhão de armas na Nova Zelândia, o que equivale a uma arma para cada três pessoas.

Os números de homicídios por arma de fogo na Nova Zelândia continuam sendo considerados baixos. De acordo com dados da Universidade de Sydney, estima-se que ocorra uma morte a cada 100 mil pessoas. Nos EUA, por exemplo, são 12 mortos por 100 mil pessoas.

O porte de armas na Nova Zelândia recebe apoio de diferentes setores, tanto dentro da política – através de um forte lobby -, quanto da polícia neozelandesa. Uma pesquisa de 2017 revelou que 66% dos policiais da Nova Zelândia apoiam o porto de armas.

Atentado

Pelo menos 49 pessoas morreram e outras 48 ficaram feridas na última sexta-feira em ataques simultâneos a duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia.

O ataque foi classificado pela premier Jacinda Ardern como “um ato de violência sem precedentes na Nova Zelândia”. Esse é “um dos dias mais sombrios e sangrentos da história do país […] Esse tipo de violência não tem lugar na Nova Zelândia”, disse ainda a primeira-ministra.

O massacre foi transmitido ao vivo pelo Facebook por um dos criminosos, que utilizou um rifle automático para atirar indiscriminadamente contra homens, mulheres e crianças enquanto caminhava. Testemunhas disseram que o atirador usava capacete, óculos e também um casaco em estilo militar.

 

Fontes:
Reuters-New Zealand pledges reforms as relaxed gun laws scrutinized
CNN-New Zealand Prime Minister says, 'Our gun laws will change'

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