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PELA PRIMEIRA VEZ

Presidente filipino admite execuções extrajudiciais

Em discurso, Rodrigo Duterte diz que as execuções são seu ‘único pecado’. Estima-se que campanha antidrogas já matou quase 5 mil pessoas

Presidente filipino admite execuções extrajudiciais
Porta-voz do governo, no entanto, disse que a declaração foi uma brincadeira (Foto: Wikimedia)

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, admitiu pela primeira vez que ocorreram execuções extrajudiciais na campanha antidrogas adotada pelo seu governo desde 2016, quando assumiu o poder.

“Quais são meus pecados? Eu roubei dinheiro? Mesmo apenas um peso? Eu processei alguém que enviei para a cadeia? Meu único pecado são assassinatos extrajudiciais”, afirmou Duterte, em um discurso no Palácio Malacañan, na última quinta-feira, 27.

Mais tarde, Harry Roque, porta-voz da presidência, disse que os comentários foram uma piada. “Você conhece o presidente. Ele não estava falando sério. […] Esse é o presidente sendo ele mesmo, sendo brincalhão, destacando que ele não é corrupto”, justificou Roque à rádio filipina DZRH nesta sexta-feira, 28. Mesmo com a justificativa, os comentários não foram bem vistos pela comunidade internacional e pela oposição.

Oficialmente, a guerra às drogas do governo das Filipinas já levou quase 5 mil pessoas à morte, entre julho de 2016 e agosto de 2018. Entidades internacionais, porém, afirmam que o número é muito maior, variando entre 12 mil e 20 mil execuções.

Atualmente, Rodrigo Duterte enfrenta duas acusações por crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional (TPI). No entanto, no último mês de março, o presidente filipino se retirou unilateralmente do tratado internacional, afirmando que o TPI contornou a presunção de inocência.

Ademais, o presidente filipino enfrenta duras críticas de opositores pela forma como governa o país. Em maio, por exemplo, a chefe da Justiça das Filipinas na época, Maria Lourdes Sereno, foi exonerada do cargo. Maria Lourdes era uma feroz crítica de Duterte, e sua expulsão ocorreu sob suspeita de ser uma manobra política.

Para a senadora Risa Hontiveros, a declaração de Duterte vai encerrar o que chama de “pseudodebate” sobre o tema. Já o diretor sênior de Operações Globais da Anistia Internacional, Minar Pimple, escreveu um artigo criticando duramente as afirmações do presidente filipino, solicitando uma investigação internacional sobre o caso.

“A declaração de Duterte deve ser de interesse para o TPI, pois analisa as queixas de crimes contra a humanidade movidas contra ele. As famílias das vítimas e vários grupos, incluindo a Anistia Internacional, encontraram fortes evidências apoiando o pedido de uma investigação internacional. Esse comentário ‘brincalhão’ é, na melhor das hipóteses, uma crueldade grotesca e, na pior das hipóteses, uma acusação condenatória da campanha assassina de seu governo. Não é hora de ser brincalhão: os assassinatos têm de parar”, escreveu Pimple.

Duterte já admitiu que as operações antidrogas continuarão até o fim do seu mandato, em 2022. Até o momento, segundo dados da Agência Antidrogas das Filipinas, foram 155.193 pessoas detidas e 4.854 mortos em 108.058 ações de segurança.

 

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Fontes:
Al Jazeera-Rodrigo Duterte: 'My only sin is extrajudicial killings'
DW-"Meu pecado são as execuções extrajudiciais", afirma Duterte

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