Início » Internacional » Presidente das Filipinas suspende guerra contra as drogas
FILIPINAS

Presidente das Filipinas suspende guerra contra as drogas

Assassinato de empresário sul-coreano por policiais leva governo a suspender a controversa campanha contra as drogas para limpar a polícia da corrupção

Presidente das Filipinas suspende guerra contra as drogas
Presidente filipino Rodrigo Duterte com chefe da Polícia Nacional Filipina, Ronald dela Rosa (Foto: Wikimedia)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

O escândalo do assassinato de um empresário sul-coreano nas Filipinas levou o presidente do país, Rodrigo Duterte, a suspender a controversa guerra contra as drogas para combater a corrupção dentro da polícia.

Leia mais: A sangrenta guerra às drogas nas Filipinas
Leia mais: Obama cancela reunião com presidente filipino após insultos
Leia mais: Presidente das Filipinas pede que civis matem traficantes

O sul-coreano Jee Ick-joo foi estrangulado há três meses em um quartel da polícia. No dia 18 de outubro, ele e sua assistente foram levados por um grupo, que incluía pelo menos um policial, numa suposta operação antidrogas. A assistente foi liberada, mas o empresário foi morto no mesmo dia, segundo a investigação. Para piorar, a viúva Choi Kyung-jin disse que os sequestradores lhe pediram regaste, quando, na realidade, seu marido já estava morto.

O caso revelou a impunidade criada pela campanha de combate às drogas de Duterte e ameaça a relação das Filipinas com a Coreia do Sul, país que proporciona elevados investimentos e um fluxo constante de turistas para as Filipinas, segundo a agência Efe.

Duterte rejeitou pedidos para demitir o chefe da Polícia Nacional Filipina, Ronald dela Rosa, um de seus principais aliados. Em vez disso, Rosa disse na última segunda-feira, 30, que vai suspender por cerca de um mês a participação policial na guerra sangrenta contra as drogas no país para “limpar” primeiro a polícia. As unidades de polícia antidrogas, que contam com cerca de 120 mil policiais, devem ser dissolvida e revisadas.

Pelo menos 3,6 mil pessoas e possivelmente outras centenas já foram mortas pela polícia e por seus vigilantes desde que Duterte assumiu o poder. Grupos de direitos humanos dizem que assassinatos extrajudiciais de traficantes e usuários podem ter sido mandados pela polícia. No entanto, as autoridades policiais negam a acusação.

Duterte disse numa coletiva que policiais desonestos estão cometendo crimes sob o pretexto da guerra contra as drogas. Durante sua campanha para presidência, Duterte prometeu matar 100 mil criminosos em seus primeiros seis meses de governo e jogar tantos corpos na Baía de Manila que os “peixes iriam engordar”. No entanto, no último domingo, 29, ele disse que subestimou a extensão do problema de drogas e que vai continuar com a campanha até o final de seu mandato em 2022. Por isso, fica a dúvida se a atual suspensão da ação policial vai alterar, de fato, algo na violência no país.

Fontes:
The New York Times-Rodrigo Duterte Says Drug War Will Go On as Police Plan Purge
DN-Presidente das Filipinas adia guerra contra a droga para combater corrupção na polícia

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *