Início » Internacional » A Primavera Árabe dos direitos das mulheres
MUNDO ÁRABE

A Primavera Árabe dos direitos das mulheres

Após o levante contra as ditaduras, o mundo árabe precisa ir agora contra o sistema patriarcal para seguir adiante

A Primavera Árabe dos direitos das mulheres
De acordo com a lei islâmica, as mulheres só tem direito a metade da herança (Foto: Pixabay)

Desde 2014, o advogado e ex-militante do movimento anticolonialista, Mohammed Béji Caïd Essebsi, é o presidente da Tunísia. Segundo um artigo de opinião de Kamel Daoud, no jornal New York Times, Essebsi, atualmente com 90 anos, é uma figura chave para os direitos das mulheres no mundo árabe.

De acordo com a lei islâmica, em caso de herança, as mulheres só têm direito a metade da herança, diferentemente dos homens. Para piorar, a estrutura patriarcal faz as viúvas perderem direitos para cunhados ou sogros, fazendo com que as mulheres fiquem mais dependentes.

Na Argélia, por exemplo, a decisão de uma mulher se casar com um não muçulmano ainda levanta polêmica. Seu marido tem que se converter ao islamismo na frente de testemunhas e obter um certificado. No entanto, se um homem muçulmano quiser se casar como uma mulher não muçulmana, o mesmo processo não precisa ser feito.

Basicamente, nenhum líder político desafiou a regra do patriarcado com medo de perder apoio popular. Mas em agosto, o discurso de Essebsi causou polêmica. “Nós temos que anunciar que estamos caminhando em direção à igualdade entre todos em todas as esferas. E a questão toda depende do assunto da herança”. Já, em meados de setembro, Essebsi rescindiu uma ordem administrativa de 1973 que proibia mulheres muçulmanas de se casar com não muçulmanos.

As declarações de Essebsi ressaltam o que precisa ser feito no mundo árabe para completar a Primavera Árabe. Não é suficiente acabar apenas com as ditaduras, agora o alvo é o patriarcado.

Na Argélia, a decisão das mulheres de se casar com certo homem deve ser validada por um guardião masculino. Marrocos, Jordânia e Líbano já tiveram um pequeno avanço quando finalmente aboliram as leis que permitiam que um estuprador se livrasse da culpa caso se casasse com a vítima. Na semana passada, o rei da Arábia Saudita autorizou as mulheres sauditas a dirigirem carros. Elas ainda não podem viajar ou se vestir como quiserem, mas este é apenas o começo.

Fontes:
The New York Times-The Next Arab Spring? Women’s Rights.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Daniela Villa disse:

    A civilização já foi matriarcal e com os metais virou patriarcal. No futuro talvez não aja mais nem um nem outro sistema…e talvez nem civilização.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *