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REVOGAÇÃO DA AUTONOMIA

Primeiro-ministro do Paquistão critica apatia global em relação à Caxemira

Em postagem nas redes sociais, Imran Khan questiona se o mundo assistirá complacente à intervenção da Índia na Caxemira, como fez na ascensão do nazismo

Primeiro-ministro do Paquistão critica apatia global em relação à Caxemira
Khan disse que a situação está se desdobrando exatamente como desejam nacionalistas hindus (Foto: Twitter/Zafar Mehdi)

O primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, comparou o governo da Índia a nazistas no último domingo, 11, ao comentar os recentes fatos envolvendo a decisão do governo indiano de revogar a autonomia da Caxemira.

Na semana passada, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, anunciou a revogação do artigo 370 da constituição indiana, que garantia aos moradores de Jammu e Caxemira (nome oficial da porção indiana da Caxemira também chamado de IOK) um certo grau de autonomia.

Modi justificou a medida afirmando que a revogação iniciaria “uma nova era de prosperidade” na região. Porém, críticos da medida apontam tratar-se de uma forma de coroar o nacionalismo hindu na região – que tem maioria muçulmana e é disputada com o Paquistão.

No domingo, agentes de segurança indianos foram flagrados percorrendo Srinagar, a maior cidade da região, em jipes com megafones acoplados, ordenando as pessoas a voltarem para suas casas e comerciantes a fecharem as portas de seus estabelecimentos. As vias da região foram bloqueadas, bem como os sinais de telefone e internet.

No mesmo dia, Khan postou em sua conta no Twitter: “O toque de recolher, a repressão e o iminente genocídio da população em IOK está se desdobrando exatamente de acordo com a ideologia da RSS [sigla para Rashtriya Swayamsevak Sangh, uma organização paramilitar nacionalista hindu], inspirada na ideologia nazista. A tentativa é alterar a demografia da Caxemira por meio de limpeza étnica. Pergunta: o mundo irá assistir complacente como fez com Hitler em Munique?”, escreveu o primeiro-ministro paquistanês.

Entenda a polêmica revogação

O partido Bharatya Janata (BJP), do atual primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, há anos planejava suprimir o status especial da Caxemira, concedido pelo Artigo 370 da Constituição indiana.

Em diversas ocasiões, Modi culpou a autonomia constitucional da região, de maioria muçulmana, pelo fraco crescimento econômico.

A revogação do Artigo 370 foi mencionada na proposta de governo do BJP apresentada antes das eleições gerais na Índia. Segundo a proposta, o governo queria eliminar todos os obstáculos que impediam o pleno desenvolvimento econômico da região de Jammu e Caxemira.

Em 5 de agosto, por fim o governo revogou a autonomia constitucional local, uma medida que, na opinião de alguns analistas, visa fortalecer a ideologia e supremacia do nacionalismo hindu. O Paquistão, que disputa a posse da Caxemira com a Índia, rejeitou a decisão declarando-a ilegal.

No mesmo dia, o ministro do Interior, Amit Shah, em apoio à decisão do governo, disse em um discurso no parlamento, que o Artigo 370 criara um regime exceção na Caxemira devido “à discriminação das mulheres, das castas inferiores e das tribos locais, além de ser um foco de terrorismo”.

Mas, na visão de Harsh Mander, escritor e ativista de direitos humanos, a medida do governo é uma forma de consolidar a política nacionalista do primeiro-ministro Modi. O artigo 370 garantia emprego para os moradores da Caxemira, lhes dava direito a ter propriedades, a obter ajuda das autoridades locais e restringia a interferência do governo indiano.

“Nos últimos cinco anos, o movimento de fortalecimento do nacionalismo hindu causou conflitos graves como linchamentos e agressões a muçulmanos. Os críticos culpam a retórica dos líderes do BJP pelo crescente sentimento de insegurança entre as minorias, em um país com uma enorme diversidade étnica”, disse Mander.

Autoridades do governo rejeitaram as críticas de políticos da oposição, insistindo que a decisão de suprimir o status especial baseara-se na ideia de igualar a região em termos sociais e econômicos aos demais estados da Índia.

Fontes:
CNN-Kashmir: New violence feared in old flashpoint, as Indian ruling party pushes long-held agenda

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