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Estado Islâmico

Japão abandona o pacifismo e quer vingança por execução de refém

Indignado com a decapitação de dois reféns japoneses pelo Estado Islâmico, o primeiro-ministro Shinzo Abe prometeu 'fazer os terroristas pagarem o preço'

Japão abandona o pacifismo e quer vingança por execução de refém
A reação de Abe mostrou que essa crise pode ser um divisor de águas para o país pacifista (Reprodução/Reuters)

Quando militantes do Estado Islâmico postaram um vídeo no último fim de semana, mostrando a decapitação do jornalista japonês Kenji Goto, o primeiro-ministro Shinzo Abe reagiu com indignação, prometendo “fazer os terroristas pagarem o preço.”

Tais juras de retribuição podem ser comuns no Ocidente, onde os líderes enfrentam a violência dos extremistas, mas o confronto do grupo com o Japão foi inédito, pelo menos, até agora. O primeiro-ministro pediu por vingança após a execução de Goto e de outro refém, Haruna Yukawa. A reação de Abe mostrou que essa crise pode ser um divisor de águas para o país pacifista.

“Esse é o 9 de setembro para o Japão”, disse Kunihiko Miyake, ex-diplomata japonês e ex-conselheiro de Abe para assuntos estrangeiros, ao New York Times. “É hora de o Japão parar de sonhar de que sua boa vontade e suas mais nobres intenções seriam o suficiente para protegê-lo contra o perigoso mundo lá fora. Americanos já enfrentaram essa dura realidade, os franceses enfrentaram, e agora nós também devemos.”

Essa crise veio em um momento crucial da história moderna do Japão. Desde que Abe tomou posse, há dois anos, o conservador tentou colocar a nação na marca do pacifismo, que foi abraçada logo após a derrota na Segunda Guerra Mundial.

Analistas e ex-diplomatas dizem esses assassinatos serão um teste importante para ver se o Japão está realmente pronto para enfrentar o cenário global. Nas próximas semanas, Abe vai buscar alterações legislativas para ampliar o papel dos militares, por exemplo, ao permitir que o Japão auxilie uma nação amiga sob ataque, algo que ainda não se pode fazer legalmente. Mas ele também insistiu que continua querendo restringir o Japão em um papel de grande parte não militar.

O refém jordaniano

A ameaça do Estado Islâmico de matar o piloto cativo da força aérea jordaniana, Muath al-Kasaesbeh, (e seu fracasso em produzir provas de que ele continua vivo), não teve o efeito desejado de minar o apoio da Jordânia à coalizão internacional contra o grupo radical. Agora, até mesmo os céticos estão apoiando a posição do governo e denunciando os extremistas. Hassan Abu Hanieh, analista político de Amã, especialista em grupos islâmicos radicais, advertiu que o Estado Islâmico ainda tem o piloto – supondo que ele está vivo – e pode muito bem usar isso para tentar mudar a opinião pública jordaniana. A Jordânia é um dos quatro países árabes participantes de ataques aéreos contra o ISIS.

O país estava disposto a libertar a terrorista Sajida al-Rishawi, em troca do resgate do piloto e do japonês Kenji Goto. Sem a confirmação de que o piloto está vivo, o governo da Jordânia não libertará a mulher, condenada à morte no país por terrorismo.

Fontes:
The New York Times-Departing From Country’s Pacifism, Japanese Premier Vows Revenge for Killings
The New York Times-ISIS Tactics Questioned as Hostages Dwindle
Uol-NYT diz que negociações entre Jordânia e EI falharam
G1-Jordânia mantém esforços para evitar execução de piloto capturado pelo EI

5 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Pessoas tem sido decapitadas desde que o ser humano inventou a espada; e os japoneses eram bons nisso. Os pruridos belicistas do Japão ocorrem porque eles vivem uma crise de identidade e precisam reagir reafirmando-a. A identidade, não a crise.

  2. André Luiz D. Queiroz disse:

    Gostaria de saber o que as grandes potências do mundo estão fazendo de braços cruzados, enquanto o EI realiza diante da humanidade as piores barbáries.” — Henrique Lara, barbáries e crimes contra a humanidade em países periféricos são coisas que pouco ou nada significam para as “grandes potências”. As ‘grandes potências’ não irão tomar ações militares mais intensas somente por conta das ações bárbaras do Estado Islâmico contra curdos, minorias religiosas ou assassinato de reféns. As ações são ditadas por interesses político-econômicos, isso sim. Obviamente, campanhas militares também têm custos altos, tanto em termos financeiros quanto políticos, e por isso não se decide por ações militares senão em defesa desses interesses maiores — ou seja, acesso a recursos vitais (petróleo, principalmente, ou outros recursos naturais que possam vir a ser muito demandados, como até mesmo água!) e/ou defesa nacional. O Estado Islâmico, o primeiro estado terrorista que se tem notícia no mundo moderno, é uma ameaça para as potências ocidentais à medida que compromete a segurança interna desses países e desestabiliza politicamente as fronteiras entre os países do Meio Oriente exportadores de petróleo, interferindo na oferta de petróleo para o resto do mundo!

  3. Luiz disse:

    Enquanto os países do ocidente não retaliar severamente contra este tipo de gentalha, não chegaremos a lugar nenhum. Se os cristãos quiserem fundar uma igreja nos países árabes, vai ser um Deus nos acuda, não pode definitivamente, os muçulmanos quebraram e mataram os fiéis. Babaca são os países que deixam esta religião fazer o que querem, olhem o caso da França, não demora muito os radicais muçulmanos meteram o pé na bunda dos franceses e vão comandar o país. Com este tipo de gente não tem conversa, é só no tiro, se eles explodirem um homem bomba, despejaremos umas toneladas de bombas na cabeça deles. Querem impor o terror? vamos impor duas vezes o terror para cima deles.
    Pesquisem na internet e vejam o que o primeiro ministro Australiano diz sobre este tipo de gente.
    Quero deixar bem claro, falo sobre os radicais. Como 60 ou 70% são radicais, já viu NÈ!…

  4. Henrique de Almeida Lara disse:

    Gostaria de saber o que as grandes potências do mundo estão fazendo de braços cruzados, enquanto o EI realiza diante da humanidade as piores barbáries.

  5. Roberto Henry Ebelt disse:

    Infelizmente continua valendo provérbio romano “sis vis pacem para bellum”. E disso ninguém escapa.
    Pobre Brasil, cujos “governos” de esquerda desmontaram suas Forças Armadas.
    Falando em FFAA, adivinhem quem construiu o sistema Cantareira, sem o qual São Paulo não teria passado dos anos 80?
    É isso mesmo: o tão execrado REGIME MILITAR BRASILEIRO.

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