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MANIFESTOS POLÍTICOS

Principais partidos do Reino Unido propõem políticas bem diferentes

Manifestos são importantes porque expressam a filosofia dos partidos

Principais partidos do Reino Unido propõem políticas bem diferentes
Existem também diferenças em relação à educação, à saúde e à assistência social, assim como à saída do Reino Unido da União Europeia (Foto: )

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Segundo um antigo ditado, ninguém lê manifestos de partidos políticos. A maioria dos eleitores tem opiniões próprias, e os indecisos optam pela escolha da liderança, e não por promessas eleitorais. No entanto, os manifestos são importantes, porque expressam a filosofia dos partidos.

Os manifestos divulgados pelos principais partidos políticos do Reino Unido são claros em seus objetivos. O Partido Trabalhista propôs um grande aumento de gastos do governo, financiados, sobretudo, pela incidência maior de impostos sobre as empresas e pessoas com uma renda superior a £80,000 (US$104,000) por ano. Os conservadores são mais frugais, embora tenham esquecido seu compromisso de não aumentar o imposto de renda e as contribuições ao Seguro Nacional. O Partido Liberal Democrata, por sua vez, assumiu uma posição intermediária, com uma sugestão de mais gastos do que os conservadores, porém com uma atitude mais moderada do que os trabalhistas.

Existem também diferenças em relação à educação, à saúde e à assistência social, assim como à saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Nesse ponto, os trabalhistas priorizam a economia e os empregos. Os conservadores destacam a importância do controle da imigração e da não continuidade da jurisdição do Tribunal de Justiça da União Europeia. E a proposta principal do manifesto dos liberais democratas refere-se à realização de um novo referendo sobre o Brexit, com o apoio à permanência na UE.

No entanto, além dos principais destaques, os três partidos têm temas comuns importantes, como a pouca menção ao déficit orçamentário, ao corte de impostos e às medidas de regulamentação menos rigorosas para as empresas. Os três partidos querem aumentar o papel do Estado na economia e como observou um analista político, os manifestos mostram um retorno à visão pré-Thatcher de intervenção na economia de livre mercado.

Porém, o manifesto da primeira-ministra Theresa May é o mais instigante, não apenas por causa das eleições parlamentares de 8 de junho, mas também pelo caráter intervencionista mais radical do que qualquer outro seu predecessor desde Edward Heath, o líder do Partido Conservador de 1965 a 1975. Mas com a saída do Reino Unido do mercado comum europeu a estratégia mais lógica do governo seria reduzir a intervenção estatal, dar mais agilidade à burocracia e diminuir os impostos. A escolha de um momento tão delicado para se aproximar de um modelo europeu continental de mercados mais regulamentados não só é contrária ao bom senso, com também é arriscada em um futuro econômico incerto após a saída do Reino Unido da União Europeia.

Fontes:
The Economist-In Britain, the state is back

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