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DEMISSÃO

Principal assessor econômico de Trump renuncia

Democrata com visões sociais progressistas, Gary Cohn é mais um a deixar o governo Trump

Principal assessor econômico de Trump renuncia
Banqueiro de Wall Street, Cohn esteve à frente do Conselho Econômico dos Estados Unidos (Foto: Flickr)

O governo dos Estados Unidos perdeu mais um importante integrante. Na última terça-feira, 6, o principal assessor econômico do presidente Donald Trump, Gary Cohn, renunciou depois de se posicionar contra as sobretaxas na importação de aço e alumínio, anunciadas pelo presidente americano na semana passada.

Gary Cohn conta com vasta experiência no campo econômico. Banqueiro de Wall Street, ele esteve à frente do Conselho Econômico dos Estados Unidos por mais de um ano, sendo considerado o principal responsável pela reforma tributária aprovada pelo Congresso dos EUA no fim de 2017. Ademais, Cohn também é ex-presidente e diretor de operações do banco de investimentos Goldman Sachs.

“Foi uma grande honra servir ao meu país e promulgar políticas econômicas pró-crescimento para beneficiar a população americana, especialmente, a aprovação da reforma tributária histórica. Sou grato ao presidente por me dar essa oportunidade e desejo a ele e a sua administração muito sucesso no futuro”, afirmou o ex-assessor econômico através de um comunicado divulgado pela Casa Branca.

Funcionários da Casa Branca relataram ao New York Times que Gary Cohn estava saindo pela porta da frente, em termos cordiais com o presidente Trump. O chefe de Estado, inclusive, exaltou o trabalho do assessor econômico e seu talento no desempenho da função.

“Gary foi meu principal assessor econômico e fez um excelente trabalho na direção de nossa agenda, ajudando a entregar cortes de impostos históricos e reformas e a destravar a economia americana novamente. Ele é um talento raro, e agradeço o seu serviço dedicado ao povo americano”, informou Trump em um comunicado ao New York Times.

Trajetória

Cohn, quando entrou para o governo, foi visto como um integrante improvável na gestão Trump. Democrata com visões sociais progressistas, ele não tem profunda experiência política, mas teria impressionado Trump com seus conhecimentos sobre economia durante a sondagem para o cargo na Casa Branca.

Durante o seu tempo como assessor, Cohn aconselhou Trump em diferentes momentos. Ele orientou o presidente a manter os EUA no Acordo de Paris e conversou com outros assessores da Casa Branca e com o secretário de Comércio, Wilbur Ross, sobre os danos que uma política nacionalista poderia gerar ao país.

Cohn também era visto como uma das principais forças contrárias à saída dos Estados Unidos do Nafta, o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio. Ademais, Cohn também fazia parte de um grupo de assessores da Casa Branca que bloquearam, em diferentes oportunidades, as tarifas sobre metais.

Em agosto de 2017, Cohn já havia dado sinais de que poderia deixar o governo, depois da fraca resposta de Trump aos protestos nacionalistas em Charlotsville, que resultaram na morte de uma ativista e dois policiais. O chefe de Estado convenceu o assessor a ficar. No entanto, Cohn criticou publicamente o posicionamento de Trump em uma entrevista ao Financial Times.

Desde a última semana, Cohn tentava negociar com Trump a possibilidade de deixar de lado as tarifas na importação de aço e alumínio. No entanto, pessoas próximas ao presidente informaram que Cohn perdeu a capacidade de negociação quando informou ao chefe de gabinete de Trump, John F. Kelly, que poderia se demitir caso não tivesse êxito.

Com a saída de Cohn, Trump permanece cercado por conselheiros que defendem medidas comerciais agressivas, o que pode desencadear uma guerra comercial. Essa disputa mundial poderia gerar uma nova recessão econômica, que afetaria países que dependem das exportações para alavancar a economia, como é o caso do Brasil.

Saídas recentes

No final de fevereiro, a diretora de comunicação da Casa Branca, Hope Hicks, também havia informado que deixaria o cargo, sem dar detalhes de quando isso ocorreria. Além de Hicks, o governo americano também perdeu recentemente o seu encarregado máximo na Coreia do Norte, além do ex-assessor Rob Porter, envolvido em denúncias de violência doméstica.

Outros funcionários do governo americano já deram indícios de que podem abandonar a base de Trump a qualquer momento, como o assessor de Segurança Nacional, o tenente-general H. R. McCaster, e o chefe de gabinete, John F. Kelly.

Ademais, centenas de cargos de alto escalão do governo, entre eles sete dos nove melhores postos do Departamento de Estado, permanecem vagos. As demissões da equipe de Trump em seu primeiro ano de governo superaram a taxa de rotatividade da equipe dos cinco presidentes anteriores.

Fontes:
The New York Times - Gary Cohn Says He Will Resign as Trump’s Top Economic Adviser
DW - http://www.dw.com/pt-br/principal-assessor-econ%C3%B4mico-de-trump-renuncia/a-42854699

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