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REPRESSÃO DO GOVERNO

Principal jornalista da Nicarágua se exila na Costa Rica

Exílio de Carlos Fernando Chamorro tem sido tratado como mais um símbolo da intensa repressão do regime de Daniel Ortega aos jornalistas

Principal jornalista da Nicarágua se exila na Costa Rica
Carlos Fernando é filho de Pedro Joaquín Chamorro, assassinado durante a ditadura Somoza (Foto: Knight Center for Journalism in the Americas /Flickr)

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A intensa repressão a protestos e censura à imprensa na Nicarágua, promovida pelo presidente Daniel Ortega, provocou o exílio do principal jornalista do país, Carlos Fernando Chamorro. O jornalista emigrou para a Costa Rica, conforme anunciou no último domingo, 20.

“Eu tive que ir para o exílio na Costa Rica, por causa das ameaças do regime, para continuar fazendo o jornalismo livre”, escreveu o jornalista, editor do jornal Confidencial, nas redes sociais. Segundo Chamorro, ele continuará trabalhando como jornalista do Confidencial, “denunciando crimes, corrupção e impunidade, e documentando a crise terminal dessa ditadura”.

Em um texto escrito para o Confidencial, Chamorro cita ainda as prisões dos jornalistas Miguel Mora e Lucía Pineda Ubau, que foram acusados de “provocação, proposição e conspiração para cometer atos terroristas”. Os jornalistas, que integram a equipe do jornal 100% Noticias, foram detidos no último dia 21 de dezembro.

“Dadas estas ameaças extremas, eu fui forçado a tomar a dolorosa decisão de ir para o exílio para proteger minha integridade física e minha liberdade, e, especialmente, para continuar a exercer o jornalismo independente a partir da Costa Rica, onde estou agora”, escreveu Chamorro, citando ainda um “roubo massivo” de equipamentos pela ditadura e a “perseguição” contra os jornalistas do Confidencial.

O exílio de Chamorro na Costa Rica tem sido tratado como mais um símbolo da intensa repressão do governo de Ortega, que tem sido categorizado como uma ditadura pela imprensa mundial, aos jornalistas nicaraguenses. Em maio do ano passado, a morte do jornalista Ángel Gahona, que foi morto enquanto cobria um protesto, também foi tida como um símbolo da repressão e censura à imprensa.

Família contra a ditadura

De uma família nicaraguense influente, filho da ex-presidente Violeta Chamorro – que comandou o país entre 1990 e 1997 –, Carlos Fernando Chamorro era sandinista e um apoiador de Ortega no passado.

Em 1978, o pai de Carlos Fernando, Pedro Joaquín Chamorro, foi assassinado durante a ditadura de Anastasio Somoza Debayle. Pedro Joaquín era um grande crítico ao governo ditador, sendo o editor do jornal La Prensa, o único representante importante da imprensa nicaraguense a fazer oposição ao governo.

Daniel Ortega, atual presidente da Nicarágua, foi uma das figuras centrais a ter grande importância na queda da ditadura Somoza. Ortega ajudou a organizar uma massiva revolução popular, impulsionada pela morte de Pedro Joaquín Chamorro, que foi definitiva para a queda da ditadura Somoza.

Agora, quase 40 anos depois, a família Chamorro está envolvida em uma nova luta contra um governo ditatorial, que tem sido intensamente criticado pela repressão aos protestos populares e pela censura à imprensa. Repetindo os passos do pai ao fazer oposição ao governo, Carlos Fernando Chamorro prometeu continuar sendo um grande crítico ao governo Ortega, mesmo estando trabalhando de outro país.

“Estou convencido de que dias melhores estão chegando para a Nicarágua, e é imperativo manter abertos todos os espaços de liberdade de expressão para continuar construindo a esperança de uma nova República, como meu pai, Pedro Joaquín Chamorro, sonhou”, escreveu Carlos Fernando.

 

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