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Problemas no Deutsche Bank

Até agora a história do Deutsche Bank não foi marcada por tragédias. No entanto, o banco está em uma posição muito frágil

Problemas no Deutsche Bank
O banco de investimento gerou €14 bilhões da receita de €32 bilhões do Deutsche em 2013 (Reprodução/Bloomberg)

Hamlet, o príncipe dinamarquês da peça de Shakespeare, culpou “as pedras e flechas com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja” por sua situação difícil, mas para quem o observava sua indecisão era a causa básica de seus problemas. O Deutsche Bank, a maior instituição financeira da Alemanha, enfrenta o ataque de pedras e flechas: a série interminável de multas de agências reguladoras americanas, novas regras mais duras referentes ao capital do banco, para evitar crises financeiras futuras, uma economia europeia estagnada e mercados financeiros indiferentes. Mas os investidores, clientes e formuladores de ações político-econômicas questionam se o maior problema do Deutsche não seria sua incapacidade de tomar decisões difíceis.

Até agora a história do Deutsche Bank não foi marcada por tragédias. No entanto, o banco está em uma posição muito frágil. É pouco lucrativo, ganhou apenas €681m ($901m) ano passado em ativos de €1.6 trilhões com um retorno de 0,04%. As ações têm um valor de 0,6 vezes o valor de seus ativos líquidos tangíveis, metade do valor de gigantes americanos como JPMorgan Chase e Goldman Sachs, dos quais se considera um rival potencial. Porém os investidores não têm a mesma opinião. É o terceiro maior banco da Europa em ativos tangíveis, mas é o décimo terceiro em capitalização de mercado.

A transição do Deutsche Banks de um banco de concessão de empréstimo sonolento para um banco de investimento mundial começou há quase 25 anos. A entrada nos mercados globais deu aos banqueiros do Deutsche Bank a chance de especular por iniciativa própria. Nesse período as ações do Deutsche duplicaram o valor dos ativos líquidos tangíveis.

O banco de investimento gerou €14 bilhões da receita de €32 bilhões do Deutsche em 2013. Mas sua posição como um dos quatro maiores bancos de investimento por receita (ao lado de Goldman, Citigroup, Bank of America e JPMorgan), caiu nos últimos dois anos. Alguns problemas do Deutsche Bank são universais. Com as taxas de juros baixas e estáveis, os mercados de obrigações e moedas tiveram um movimento bem menor do que o habitual, com repercussões na área financeira, que afetaram o desempenho do Deutsche.

No entanto, apesar das dificuldades é possível que a história tenha um final feliz. Os lucros do Deutsche Bank poderiam atingir cerca de €6 bilhões por ano em 2016, de acordo com a previsão de analistas, próximos aos anos de glória pré-2007, com a não interferência das agências reguladoras nos lucros e o favorecimento dos mercados.

Mas muitos bancos alemães como Dresdner, Commerzbank, WestLB e outros só conseguiram se manter como bancos de investimentos fortes no cenário global por pouco tempo. Se a trajetória dos acontecimentos seguir o ritmo atual, é provável que o Deutsche Bank tenha um destino semelhante. Assim como Hamlet, poderá, por fim, sucumbir aos seus ferimentos.

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