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A PEDIDO DE TRUMP

Procurador-geral dos EUA renuncia ao cargo

Relação entre Jeff Sessions e Trump estava abalada desde que o procurador-geral se negou a atuar na investigação sobre ingerência russa nas eleições americanas

Procurador-geral dos EUA renuncia ao cargo
‘A seu pedido, apresento minha renúncia’, diz Sessions, na carta enviada a Trump (Foto: Flickr/averyella)

O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, renunciou ao cargo na noite da última quarta-feira, 7, a pedido do presidente americano, Donald Trump.

“A seu pedido, apresento minha renúncia”, diz Sessions, na carta de demissão enviada a Trump. No texto, Sessions não tece críticas à gestão do presidente americano. Ele afirma que honrou o cargo de procurador-geral dos Estados Unidos desde o primeiro dia e elogia a equipe que o acompanhou na função (confira aqui o documento na íntegra, divulgado pelo jornal New York Times).

Em sua conta no Twitter, Trump informou que Sessions será substituído interinamente por seu chefe de gabinete, Matthew G. Whitaker. O anúncio deixou em alerta democratas, uma vez que Whitaker é considerado leal e alinhado a Trump, o que pode colocar em risco as investigações sobre interferência russa nas eleições presidenciais de 2016.

A renúncia de Sessions reflete o fato de Trump nunca o ter perdoado por não atuar na investigação sobre a ingerência russa nas eleições presidenciais de 2016, contra democratas e em prol da campanha de Trump. A relação entre ambos estava abalada desde março de 2017, quando Sessions decidiu não liderar a investigação.

Sessions se afastou da investigação por se declarar impedido de supervisionar o caso, após ter seu nome envolvido. Ele foi acusado de ter participado de reuniões com russos durante a campanha presidencial de 2016. Na época, Sessions era conselheiro da campanha de Trump e cotado para assumir o Departamento da Justiça, em caso de vitória do republicano. Sessions foi acusado de omitir, em uma audiência, contratos firmados em dois encontros com o embaixador russo Serguei Kislyak.

Na ocasião, Sessions afirmou que nunca se reuniu com autoridades russas para falar sobre a campanha de Trump. Ele confirmou uma reunião com o embaixador russo, mas disse que o encontro era para tratar de terrorismo e a questão da Ucrânia.

O afastamento de Sessions abriu caminho para a nomeação do procurador especial Robert Mueller, que assumiu as investigações de forma independente. Mueller é ex-diretor do FBI e tem reputação de integridade e rigor em sua conduta profissional. Sua ascensão no comando do caso desagradou em muito Trump, que passou a criticar constantemente a decisão de Sessions e a sugerir que ele não permaneceria no cargo durante muito tempo.

Em 25 de julho do ano passado, por exemplo, Trump  postou em sua conta no Twitter que Sessions – um dos primeiros declarar apoio a sua campanha em 2016 – estava demonstrando uma atitude “MUITO fraca” diante de suas responsabilidades. Posteriormente, ao ser questionado se pretendia demiti-lo, respondeu: “O tempo dirá”.

Em março deste ano, Trump voltou seus ataques ao procurador especial Robert Mueller, passando a desacreditar a investigação sobre a ingerência russa nas eleições, a associar Mueller a Hillary Clinton e ao Partido Democrata. Ele também passou a classificar a investigação como uma “caça às bruxas”.

“A investigação de Mueller jamais deveria ter começado, porque não houve conluio nem delito. Baseou-se em atividades fraudulentas e num dossiê enganoso pago pela corrupta Hillary e pelo Comitê Nacional Democrata, e foi usado indevidamente perante os tribunais para investigar minha campanha. Caça às bruxas!”, escreveu Trump em sua conta no Twitter.

Trump hostiliza repórter que o questionou sobre investigação

Poucas horas antes de pedir a renúncia de Sessions, Trump concedeu uma coletiva de imprensa na Casa Branca, que contou com um momento constrangedor. Durante a coletiva, o repórter Jim Acosta, da rede CNN, questionou Trump sobre suas declarações referentes à caravana de migrantes da América Central e sobre a investigação referente à ingerência russa nas eleições.

As perguntas tiraram Trump do sério e o presidente americano passou a xingar o repórter e a exigir que ele largasse o microfone. Nesta ocasião, Acosta lembrou que outros repórteres presentes haviam feito mais de uma pergunta ao presidente.

“Não estou preocupado em nada com a investigação russa porque isso é uma farsa. É o bastante, largue o microfone”, disse Trump, que, em seguida, se afastou do púlpito por um momento.

Ao retornar para o microfone, o presidente americano se dirigiu a Acosta. “Vou te dizer uma coisa, a CNN deveria ter vergonha de ter você trabalhando para eles. Você é rude, uma pessoa terrível”, disse o presidente.

Não foi a primeira vez que Trump se recusou a falar sobre a investigação com a rede CNN. Segundo noticiou a rede BBC, em janeiro de 2017, quando ainda era presidente eleito – uma vez que sua posse foi no dia 20 daquele mês – Trump se negou a permitir que o repórter Jim Acosta fizesse uma pergunta sobre o tema. Na ocasião, Trump se limitou a dizer que o veículo de comunicação era “terrível” e publicava “fake news”.

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