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Conflito diplomático

Coreia do Norte está cada vez mais isolada

As hostilidades terminaram, mas a China está cada vez mais irritada com as atitudes da Coreia do Norte, sua suposta aliada

Coreia do Norte está cada vez mais isolada
Caricatura do líder norte-coreano, Kim Jong-un (Foto cortada: Flickr/DonkeyHotey/CreativeCommons) )

Os conflitos entre as duas Coreias causam algumas surpresas. O mais recente confronto militar entre a Coreia do Sul democrática e a Coreia do Norte despótica terminou em 25 de agosto depois de 43 horas de negociações. A suspensão temporária das hostilidades não teve grandes consequências para a Coreia do Norte. O único compromisso foi a retomada das reuniões das famílias separadas pela guerra da Coreia (1950-53) no final de setembro. As últimas reuniões realizaram-se como previsto no ano passado, apesar de a Coreia do Norte não ter promovido outras reuniões há dois anos. Um fato previsível na ótica do governo norte-coreano. No entanto, surpreendentemente, desta vez a Coreia do Norte não exigiu novas concessões, como de hábito em sua estratégia de ameaças em troca de ajuda.

As tensões aumentaram no início de agosto, quando uma mina terrestre mutilou dois soldados sul-coreanos. Em resposta, a Coreia do Sul retomou as transmissões estridentes de propaganda nos alto-falantes instalados na zona desmilitarizada. Indignada, a Coreia do Norte disparou quatro rodadas de tiros ao longo da fronteira entre os dois países. A Coreia do Sul revidou o ataque com 29 tiros. O governo norte-coreano preparou as Forças Armadas do país para um conflito maior, mas, em seguida, propôs negociações de alto nível, nas quais, um fato raro, “lamentou” os ferimentos dos soldados.

Os dois lados assumiram o crédito pelo fim das hostilidades. Os índices de aprovação de Park Geun-hye, presidente da Coreia do Sul, subiram 15 pontos em uma proporção de cerca de 50%. A Coreia do Norte não permite o uso de “práticas imperialistas corruptas” como pesquisas de opinião, mas Kim Jong-un, o líder norte-coreano, declarou que o país clareara “as nuvens escuras que pairavam sobre a nação coreana”, ao propor, por “livre iniciativa”, as negociações do cessar-fogo.

“Essa foi uma mensagem de moderação para a China”, disse John Delury da Universidade Yonsei em Seul. Desde que Xi Jinping assumiu o poder há três anos, a comunicação oficial entre a China e a Coreia do Norte, sua suposta aliada, tinha se reduzido ao ”mínimo possível” com a deterioração crescente das relações entre os dois países, em razão do programa nuclear da Coreia do Norte e da petulância temperamental de Kim Jong-un.

Fontes:
The Economist - He shells, she shells

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