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Polêmica

Projetos de lei podem acabar com pacifismo japonês

Milhares de manifestantes demonstraram seu repúdio pelos projetos do primeiro-ministro, Shinzo Abe

Projetos de lei podem acabar com pacifismo japonês
Primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, diz que uma postura mais ousada em relação à segurança é essencial para enfrentar novos desafios (Foto: Wikimedia)

Na última quarta-feira, 15, a Câmara do Japão aprovou projetos de lei que permitem enviar soldados para lutar em outros países, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. A aprovação mexeu com a opinião pública, que vê a situação como algo que vai contra o pacifismo japonês de 70 anos.

Os novos projetos acabariam com a proibição do uso de força para defender um país amigo como os Estados Unidos, a chamada “autodefesa coletiva”. Os projetos de lei vão agora para o Senado e se não forem votados em 60 dias, voltam para a Câmara, onde a coalizão do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, pode promulgá-los com maioria de dois terços.

Abe diz que uma postura mais ousada em relação à segurança é essencial para enfrentar novos desafios, tais como os de uma China em ascensão. “A situação de segurança ao redor do Japão está ficando mais difícil”, disse Abe a jornalistas após a votação, que foi boicotada pelos principais partidos da oposição. “Estes projetos de lei são essenciais para proteger a vida dos japoneses e para evitar a guerra.”

O artigo pacifista

Os opositores dizem que as revisões poderiam colocar o Japão em conflitos liderados pelos Estados Unidos ao redor do mundo, além de violar o artigo pacifista. De acordo com a Constituição japonesa de 1947, Tóquio “renunciou para sempre à guerra enquanto direito soberano” e ao “uso da força ou à sua ameaça na resolução dos conflitos entre nações”. O artigo 9 determina categoricamente: “O direito de beligerância não é reconhecido.” 

Desde que Abe tomou posse, há três anos, o conservador se comprometeu a fortalecer as defesas do Japão e a impulsionar a economia, entretanto, o premier viu o seu apoio cair devido a dúvidas dos eleitores sobre suas políticas, tais como um plano para reiniciar os reatores nucleares.

Alguns analistas já começaram a traçar paralelos entre Abe e seu avô, Nobusuke Kishi, que foi primeiro-ministro entre 1957 e 1960. Kishi renunciou em 15 de julho de 1960 por causa de um furor público depois que ele forçou um pacto de segurança EUA-Japão por meio do parlamento. Outros analistas dizem que é provável que Abe ganhe a reeleição em setembro para mais um mandato de três anos como líder do seu partido Liberal Democrático, devido à oposição fraca dentro e fora do partido.

Pacifismo abalado

O pacifismo japonês anda abalado desde que militantes do Estado Islâmico decapitaram dois japoneses, entre eles o renomado jornalista Kenji Goto. Na época, analistas e ex-diplomatas disseram que os assassinatos seria um teste importante para ver se o Japão estava realmente pronto para enfrentar o cenário global. 

 

 

 

Fontes:
The Guardian-Japanese law could send soldiers to fight abroad for first time in 70 years
O Estado de S. Paulo-Gabinete do Japão aprova projetos de lei que ampliam posição militar do país

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