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Projetos de energia renovável ganham força na África

A queda do custo da energia renovável talvez permita que a África evite o uso de combustíveis fósseis, como o carvão, na produção de energia elétrica

Projetos de energia renovável ganham força na África
Projetos de energia renovável são essenciais em um continente com problemas sérios de geração de energia elétrica (Fonte: Reprodução/The Economist/Panos)

O reflexo dos espelhos brilhantes ilumina o cerrado marrom empoeirado da inóspita província de Cabo Norte na África do Sul, enquanto giram devagar para seguir o Sol produzindo energia elétrica para 80 mil casas. A inauguração em março de uma usina solar (CSP) em Cabo Norte, com um custo de 7,8 bilhões de rands (US$ 640 milhões), faz parte de uma série de projetos de energia renovável na África.

Projetos como esses de energia renovável são essenciais em um continente com problemas sérios de geração de energia elétrica. Na África do Sul, onde mais quatro usinas CSP estão sendo construídas, a economia estagnou-se no primeiro trimestre de 2015 em razão da escassez de energia. De acordo com a avaliação do Banco Mundial, a escassez de energia na África subsaariana é responsável por um crescimento econômico de apenas 4% ao ano. As empresas são obrigadas a comprar geradores e a pagarem 50 centavos ou mais por quilowatt-hora, um custo muito superior ao da rede elétrica.

Uma tecnologia relativamente simples está sendo utilizada no continente africano: a usina solar, que usa o calor do Sol para produzir vapor que, por sua vez, gera energia elétrica. Embora seja uma estrutura mais complexa do que o painel solar fotovoltaico, que produz energia elétrica diretamente da luz solar, a CSP tem capacidade de armazenar calor e produzir energia elétrica durante algumas horas depois do pôr do sol. A África lidera o projeto de utilização desse tipo de energia renovável e ecológica; seis das dez maiores usinas CSP que estão sendo construídas no mundo localizam-se na África.

As grandes represas e a energia hidrelétrica oferecem um potencial ainda maior. Segundo a McKinsey, essas formas de produção de energia elétrica podem fornecer cerca de 15% da eletricidade da África em 2040, em comparação com um pouco menos de 10% da energia solar. O que explica esse súbito interesse pela energia renovável? O principal motivo são os recursos naturais inexplorados da África, como rios enormes que ainda não foram represados, desertos ensolarados e planaltos com ventos constantes.

Durante anos os engenheiros quiseram explorar o potencial energético do rio Congo no trecho em que mergulha nas cataratas de Inga, entre Kinshasa, a capital da República Democrática do Congo, e o oceano Atlântico, com a construção de uma usina hidrelétrica. Essa usina seria a maior do mundo, com a capacidade de produzir 40.000 MW, 20 vezes mais do que a energia gerada pela grande represa Hoover nos Estados Unidos. Agora, o Banco Mundial está financiando estudos para represar o rio Congo.

Fontes:
The Economist - African energy: The leapfrog continent

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