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REPRESSÃO

Promotor acusa economista saudita de traição

Economista está preso desde setembro do ano passado, após criticar os planos de privatização do governo saudita para a petrolífera estatal Aramco

Promotor acusa economista saudita de traição
Arábia Saudita tem um longo histórico de repressão a opositores (Foto: Pixabay)

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O promotor público da Arábia Saudita acusou o economista Essam al-Zamil de traição. O economista está preso desde setembro do ano passado e é acusado, agora, de fazer parte do grupo Irmandade Muçulmana, passar informações ao Catar – com quem o reino saudita cortou relações – e incitar protestos na Arábia Saudita.

No fim de 2017, o governo saudita foi duramente criticado por grupos de direitos humanos internacionais por estar reprimindo os opositores. Em defesa, o governo afirmou que estava em uma extensa campanha contra a corrupção em diferentes esferas do país. A oposição, no entanto, não concordou com as argumentações.

Essam al-Zamil não foi identificado pela mídia árabe, que divulgou a notícia na última segunda-feira, 1. Porém, Yahya Assiri, chefe do grupo de direitos sauditas ALQST, revelou à rede Al Jazeera o nome do economista. O governo, no entanto, ainda não confirmou a identidade.

Antes de ser preso, Zamil criticou, pelas redes sociais, o plano do governo de privatizar a empresa petrolífera estatal Aramco. Segundo as postagens do economista, a avaliação de US$ 2 trilhões da companhia exigiria que as reservas de petróleo também fossem incluídas na venda. O plano para privatizar a Aramco já foi revogado.

A Arábia Saudita tem um extenso histórico de repressão a opositores do governo. Em novembro, o reino saudita anunciou a prisão de mais de 200 pessoas que estavam supostamente envolvidas em esquemas de corrupção. Já nos últimos meses, as autoridades prenderam mais de uma dúzia de ativistas dos direitos das mulheres.

A repressão governamental vai na contramão da posição que vem sendo adotada desde o fim do ano passado. A Arábia Saudita tem adotado uma posição mais aberta, revogando proibições de anos. Em dezembro, por exemplo, o país liberou os cinemas após a restrição de mais de 35 anos. Já em junho deste ano chegou ao fim a proibição para mulheres dirigirem.

Fontes:
Al Jazeera-Saudi economist who criticised Aramco IPO charged with treason
Reuters-Saudi economist who criticized Aramco IPO charged with terrorism: activists

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