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Desastre no Mediterrâneo

Promotores italianos acusam capitão de estimular imigração clandestina

Estima-se que 800 pessoas se afogaram no desastre mais fatal no Mediterrâneo em décadas

Promotores italianos acusam capitão de estimular imigração clandestina
Promotores na cidade de Catânia, na Sicília, acreditam que Mohammed Ali Malek, 27, conduziu seu barco severamente sobrecarregado em uma colisão com o navio mercante que vinha em seu resgate (Reprodução/Guardia Costiera)

O capitão tunisiano, Mohammed Ali Malek, do barco de imigrantes, no qual estima-se que 800 pessoas se afogaram, compareceu perante um juiz nesta sexta-feira, 24, juntamente com membros da tripulação e o sírio Mahmud Bikhit, 25, que também foi preso em uma investigação sobre esta catástrofe que provocou comparações com o tráfico de escravos e acusações de desprezo por parte dos governos europeus.

Leia mais: Navio levando de 500 a 700 imigrantes afunda no Mediterrâneo

Promotores na cidade de Catânia, na Sicília, acreditam que Mohammed Ali Malek, 27, conduziu seu barco severamente sobrecarregado em uma colisão com o navio mercante que vinha em seu resgate. Ele pode ser acusado de estimular a imigração clandestina no desastre mais fatal no Mediterrâneo em décadas.

O promotor-chefe de Catânia, Giovanni Salvi disse que poucos sobreviveram, porque a maioria dos imigrantes a bordo, inclusive mulheres e crianças, foram trancados no porão e no convés inferior do barco de pesca de três andares.

Os promotores de Catânia disseram que a colisão foi causada por erros de direção pelo capitão e pelos movimentos de pânico das centenas de passageiros. Já o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi descreveu os traficantes que lotaram o barco de pessoas semelhantes aos traficantes de escravos do século XVIII.

Os promotores disseram que os sobreviventes tinham dito como eles haviam sido detidos por cerca de um mês em fábricas abandonadas na Líbia antes de serem colocados no barco.

O chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas, Zeid Ra’ad Al Hussein, disse que o horror no mar tinha sido produzido por um “fracasso monumental de compaixão” por parte dos governos europeus, que agora estão sob intensa pressão para resolver a crise humanitária em suas regiões.

Autoridades italianas acreditam que pode haver mais de um milhão de mais candidatos à imigração para a Europa esperando para embarcar. Muitos deles são refugiados da guerra civil na Síria ou estão escapando da perseguição em lugares como Eritreia. Outros estão fugindo da pobreza e da fome da África e do sul da Ásia, esperando um futuro melhor na Europa.

 

Fontes:
ABC News-Migrant boat sinking: Prosecutors say captain caused collision, facing mass murder charge
Reuters-Tunisiano acusado por desastre com barco de imigrantes depõe à Justiça italiana

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