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Protestos ameaçam paralisar a Tunísia

Conflitos já deixaram 35 mortos, mas ainda não inspiraram reação por parte do governo

Protestos ameaçam paralisar a Tunísia
Na região de Kasserine, os protestos começaram em meados de dezembro (Fonte: AFP)

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Na segunda-feira, 10, pouco depois das quatro da tarde, tunisianos se reuniram na frente de seus televisores para ouvir o segundo pronunciamento do líder do país, Zine el-Abidine Ben Ali, depois de três semanas de protestos. No fim de semana anterior, os protestos se tornaram sangrentos, com pelo menos 35 mortes na região de Kasserine, próxima à cidade de Sibi Bouzid, onde os protestos começaram em meados de dezembro.

Muitos ficaram desapontados com o pronunciamento, no qual Ben Ali não abordou as preocupações políticas e sociais por trás dos protestos, nem demonstrou nenhuma intenção de realizar mudanças. O presidente prometeu criar 300 mil empregos para universitários desempregados nos próximos dois anos (embora não tenha revelado detalhes de como isso será conseguido), mas boa parte de seu discurso consistia em ameaças contra o que ele descreveu como “elementos hostis financiados por estrangeiros, que venderam suas almas para o extremismo e terrorismo, e são manipulados do exterior”.

“Teria sido melhor não dizer nada”, diz Fares Mabrouk, um ativista tunisiano em paris, que ajuda a disseminar vídeos de protestos enviados por telefones celulares. As imagens foram distribuídas ao redor do mundo, mas poucos conseguiram vê-las na Tunísia, onde a internet é fortemente censurada, e descobriu-se que as autoridades locais alteram nomes de usuários e senhas de sites como Facebook. “Milhões esperavam por aquele discurso, mas Ben Ali parace não entender a gravidade da situação”.

Mabrouk não vem da negligenciada região central do país, onde a maioria dos protestos violentos aconteceu. Mas, assim como um número crescente de tunisianos mais privilegiados, ele teme que uma oportunidade esteja sendo desperdiçada, dando lugar a uma repressão ainda maior. A fatal intervenção policial do fim de semana, juntamente com as prisões em massa de manifestantes, somada a uma política de repressão aos blogueiros, sugere que o regime entrou em pânico.

Numa tentativa de reprimir os protestos, escolas e universidades foram temporariamente fechadas. Mas isso pode simplesmente liberar os jovens, que formam a maior parte de manifestantes, e levá-los às ruas. Pela primeira vez desde que se tornou presidente, os retratos de Ben Ali que adornam vários prédios foram destruídos e queimados, enquanto aumenta a fúria popular contra ele e a família de sua esposa, que muitos crêem ter obtido gigantescas fortunas por meio da corrupção.

Alguns tunisianos esperam que Ali tenha o mesmo destino de Nicolae Ceaucescu, o ditador romeno abandonado por suas forças armadas após uma série de protestos. Os boatos dizem que o líder do exército, Rachid Ben Ammar foi demitido depois de ordenar à polícia que não atirasse contra os manifestantes.

Até agora, os protestos da Tunísia não têm uma liderança clara. Os surtos espontâneos das regiões mais pobres agora receberam a companhia dos sindicatos. Membros da tradicionalmente dócil oposição oficial divulgaram notas implorando a Bem Ali que impedisse a polícia de usar balas verdadeiras contra os manifestantes. Greves gerais estão planejadas para o fim da semana, e um toque de recolher foi anunciado em Túnis, na terça-feira. Ainda não é possível apontar para que lado o inverno do descontentamento tunisiano está seguindo, mas ele já foi além das preocupações econômicas e não dá sinais de diminuição.

Fontes:
Economist - Hotting up

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