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O caso Ferguson

Protestos contra a absolvição de policial se espalham por 170 cidades americanas

Absolvição de Darren Wilson foi vista como um ato em favor do racismo nos Estados Unidos. Promotor do caso foi criticado

Protestos contra a absolvição de policial se espalham por 170 cidades americanas
Manifestantes atearam fogo em lojas no Missouri. Mais de 150 pessoas foram detidas. (Foto: Reprodução/Andrees Latif/Reuters)

Os protestos se espalharam pelos EUA no segundo dia após o não indiciamento de Darren Wilson, policial branco que assassinou o garoto negro de 12 anos Michael Brown, que manejava uma arma de brinquedo. O caso ocorreu em agosto deste ano em Ferguson, Missouri. Ao todo, 170 de cidades de 37 estados dos EUA tiveram manifestações contrárias à absolvição de Wilson.

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Representantes de provimentos negros acreditam que o caso estimula o racismo no país. Os manifestantes bloquearam vias e túneis em vários pontos do país. Em Ferguson, um forte esquema de segurança foi montado para impedir que os protestos se tornassem novamente violentos. Ao todo, 44 pessoas foram detidas.

A Guarda Nacional americana foi acionada pela Prefeitura da cidade para a controlar os protestos. Cerca de 2.200 agentes foram enviados. Integrantes das passeatas usaram pedras, urina e coquetéis molotov contra os agentes.

Segundo o chefe da polícia de Ferguson, Jon Belmar, o segundo dia de manifestações na cidade foi mais calmo do que o dia do anúncio da decisão judicial. Os policiais afirmaram que qualquer pessoa que estiver na rua está sujeita à prisão.

Solidariedade em todo o país

Os protestos se espalharam pelo país inteiro, em Oakland, na Califórnia, manifestantes quebraram vitrines e saquearam várias lojas. Em Nova York, pessoas foram detidas por fechar as avenidas, método de protesto que foi adotado em quase todo os EUA.

Houve também passeatas pacíficas, como na cidade de Boston, onde mais de mil pessoas fizeram uma passeata de protesto em frente a uma penitenciária. Os presos colocaram as mãos pra fora das janelas, algumas delas escrito “Mike Brown”.

Manifestantes da cidade de Chicago, que fazem parte do projeto Jovem Negro 100, fazem vigília de 28 horas em frente à casa do prefeito Rahm Emanuel. Segundo eles, a cada 28 horas um jovem negro é morto por policiais ou pessoas agentes de segurança do estado.

O presidente americano, Barack Obama, primeiro presidente negro eleito na história do país, falou sobre os protestos. “As frustrações que temos visto não são sobre um incidente em particular. Elas têm raízes profundas em muitas comunidades negras que sentem que nossas leis nem sempre são aplicadas de modo uniforme ou suficiente. Mas existem maneiras produtivas de expressar essas frustrações, e existem formas destrutivas de responder a elas. Incendiar edifícios, atear fogo em carros, destruir bens, colocar pessoas em perigo, não há desculpa para isso. Estes atos são criminosos”, afirmou o presidente.

Uma investigação está em aberto para averiguar se houve desrespeito aos direitos humanos no caso de Brown. O modo de atuação da polícia de Ferguson também está sob suspeita.

Promotor foi criticado

Os advogados da família Brown e outros juristas dos EUA criticaram  o promotor do caso, Robert McCulloch. Segundo eles, McCulloch “inundou” o júri com provas desnecessárias e se absteve de conduzir as audiências a favor do indiciamento de Wilson. Essa postura colaborou para a decisão do júri de absolver o policial e não levá-lo a julgamento.

Segundo a professora da universidade de St. Louis, Susan McGraugh, apresentar todas as evidências foi um erro considerando que a decisão seria tomada por um grupo de leigos do grande júri. “O grande júri não precisa conhecer todas as provas, normalmente o promotor diz o que acredita ser a acusação (homicídio culposo, doloso etc), apresenta as provas que a embasam e pergunta se os jurados acham suficiente como causa provável de um crime. Grandes júris não julgam, não estão atrás de provas de um crime, apenas avaliam se há embasamento para um julgamento, como normalmente quer o promotor”.

Em entrevista à rede americana de televisão ABC, Wilson afirmou ter agido corretamente e que o caso ficará no passado. “É algo que aconteceu e ficará no passado. Sei que fiz meu trabalho da maneira correta”, disse o policial.

Outros casos semelhantes já ocorreram no país. Em 2000, o imigrante da Guiné, Amadou Diallo, foi morto por policiais que acreditavam que ele estaria armado enquanto retirava a carteira do bolso da calça. Na época os quatro agentes também foram absolvidos.

Fontes:
O Globo-Protestos chegam a 170 cidades de 37 estados dos EUA

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