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GUERRA COMERCIAL

Putin e Xi Jinping lançam contraofensiva a Washington

Líderes se encontram em Moscou para firmar acordos envolvendo tecnologia 5G e reafirmar apoio a uma solução diplomática para a Venezuela

Putin e Xi Jinping lançam contraofensiva a Washington
China será responsável por levar a tecnologia 5G para a Rússia (Foto: Xinhua)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, se reuniram na última quarta-feira, 5, numa cerimônia para marcar os 70 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre os países. O encontro ocorreu no Teatro Bolshoi, em Moscou.

Em uma espécie de contraofensiva à guerra comercial contra a China liderada pelo governo do presidente americano, Donald Trump, Putin e Jinping assinaram acordos bilaterais para estreitar parcerias econômicas, estratégicas, de cooperação e comerciais que têm como objetivo coordenar a chamada Nova Era, anunciada pelo governo chinês em 2017.

A China tem sido a principal parceira comercial da Rússia e ambos os países já firmaram acordos que abrangem setores como o energético, de aviação, ciência e tecnologia, entre outros.

No encontro, Putin exaltou o que chamou de grande contribuição prestada por ambos os países em relação à salvaguarda do direito internacional, segurança regional e estabilidade. Xi Jinping, por sua vez, destacou que os dois países estão entrando em um novo momento histórico nas relações bilaterais.

Os dois presidentes assinaram uma declaração conjunta, na qual, sem citar diretamente os EUA, se comprometem a resistir a pressões que afetam os setores de tecnologia.

“Nos propomos a resistir à imposição de restrições infundadas ao acesso aos mercados de produtos de tecnologias da informação com a desculpa de garantia de segurança nacional, assim como à exportação de produtos de alta tecnologia”, diz um trecho do documento, segundo noticiou a agência pública de notícias alemã Deutsche Welle.

Durante o encontro, Putin e Xi Jinping compareceram a uma cerimônia na qual foi firmado um acordo que prevê que a chinesa Huawei será responsável por levar a tecnologia 5G à Rússia. O acordo foi assinado por Alexei Kornya, presidente da MTS – a principal operadora de telecomunicações da Rússia – e Guo Ping, presidente da Huawei. A empresa de tecnologia chinesa é segunda maior fornecedora de equipamentos de smartphones do mundo, atrás apenas da sul-coreana Samsung.

A liderança na tecnologia 5G é um dos fronts da guerra comercial travada entre EUA e China. O governo americano vem tentando asfixiar a inserção da Huawei no mercado global, sob a justificativa de que a empresa é usada para espionagem pelo governo chinês. A Huawei, no entanto, nega a acusação. A tecnologia 5G representa a quinta geração de internet móvel, com conexões ultravelozes que abastecerão desde carros sem motoristas a fábricas automatizadas. Ela também será crucial para acelerar a revolução da Internet das Coisas, que pode revolucionar as empresas desde a agricultura até a manufatura. Por conta disso, há muito em jogo em relação a qual será o país a liderar a tecnologia.

Além das cooperações nas áreas de estratégia, comércio e tecnologia, Putin e Xi Jinping também abordaram no encontro a questão da crise na Venezuela, reafirmando a intenção de resolução através do diálogo. “Seguimos atentamente o desenvolvimento dos eventos na Venezuela e chamamos todas as partes a cumprir a Carta da ONU, assim como as normas do direito internacional e as relações entre os Estados”, diz a carta.

Em 14 de maio, a China enviou 71 toneladas de suprimentos à Venezuela, como parte acordos de cooperação técnicos humanitários firmados entre os dois países. Dois meses antes, a Rússia enviou 300 toneladas de suprimentos à Venezuela.

Junto com a Turquia, China e Rússia são as principais aliadas do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Em março deste ano, Pequim e Moscou usaram seu poder de veto para barrar uma moção apresentada pelos EUA no Conselho de Segurança da ONU que previa a interferência do conselho para a “restauração pacífica da democracia” venezuelana.

Em dezembro do ano passado, em meio à pressão de sanções internacionais, Maduro se reuniu com Putin em Moscou em busca de auxílio financeiro para seu país. Tanto a Rússia quanto a China têm grandes interesses econômicos em jogo na Venezuela.

A estatal de energia russa Gazprom tem projetos de exploração de reservas de petróleo e gás na costa venezuelana. Já a China emprestou vastas somas de dinheiro a Caracas nos últimos anos. Somente na última década, foram mais de US$ 50 bilhões através de acordos conhecidos como oil-for-loan (“petróleo por empréstimo”, em tradução livre).

A aliança entre China, Rússia e Venezuela é alvo de desconfiança dos EUA, que não vê com bons olhos o aumento da presença de Moscou e Pequim na América do Sul, continente considerado por Washington como sua zona de influência. Nos últimos anos, Putin e Xi Jinping vêm estreitando laços diplomáticos e econômicos na região, o que inclui o Brasil.

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