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JOGO DIPLOMÁTICO

Putin está perdendo de goleada a discussão sobre a Síria

A Casa Branca anunciou que pode promover sanções econômicas contra Moscou e que estas penalidades estão sendo avaliadas por Washington

Putin está perdendo de goleada a discussão sobre a Síria
Mesmo com seu olhar indecifrável, Putin não tem como negar que foi mesmo pego de surpresa (Foto: Kremlin)

Pelo menos até o momento, o Kremlin está perdendo de goleada o jogo diplomático que se estabeleceu após a ofensiva militar na Síria, promovida por Estados Unidos, Reino Unido e França, na sexta-feira, 13 de abril, em resposta a um suposto uso de armas químicas promovido seis dias antes pelo regime de Bashar al-Assad contra cidadãos sírios.

O G-7 – formado pelos três países envolvidos no ataque e ainda por Alemanha, Canadá, Itália e Japão – considerou a ação “limitada, proporcional e necessária”. A Casa Branca anunciou que pode promover sanções econômicas contra Moscou – que apoia Assad – e que estas penalidades estão sendo avaliadas por Washington.

Diferentes números e versões para o mesmo ataque

Mesmo com seu olhar indecifrável, Vladimir Putin não tem como negar que foi mesmo pego de surpresa. Restou a ele elogiar os sistemas de defesa antiaérea – fabricados na Rússia – usados pelas defesas sírias durante os ataques. A oito semanas do início da Copa do Mundo da Rússia, o placar dos ataques mostra o embate entre ataque e defesa. Na versão russa, dos 103 mísseis lançados, 71 teriam sido neutralizados em 112 movimentos de defesa. Já o Pentágono apitou para o centro do campo e disse que todos os disparos chegaram ao gol. Sem defesa ou retranca. O fato é que houve um confronto entre armamentos americanos e russos, com destacada vantagem para o primeiro.

Conterrâneo de Cristiano Ronaldo, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, é categórico ao afirmar que o governo sírio não pode impedir investigação sobre as supostas armas químicas. Ele determinou que a república árabe permita que os inspetores internacionais de armas químicas possam trabalhar sem restrições.

A estratégia de Trump

Segundo a agência estatal síria de notícias Sana, inspetores da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) já estariam na cidade de Douma para investigar o suposto ataque com gás que precipitou o confronto internacional.

Com participação garantida no grupo C da Copa do Mundo, a França sustenta que o ataque foi legítimo e multilateral. O presidente Emmanuel Macron destacou no Parlamento Europeu sua revolta ao ver imagens de “crianças, mulheres que morreram por um ataque com cloro”. Disse ainda: “defendemos que os direitos humanos são para nós. Os princípios são para nós, e as realidades para os outros? Não, não!”.

O leitor mais atento pode ter estranhado que até aqui o Presidente Donald Trump sequer tenha sido citado. Faz parte da estratégia do jogo das forças aliadas deixá-lo em banho-maria. O alvo a ser desgastado é o presidente russo. Às vésperas de promover evento esportivo de escala mundial em seu país, não restam a ele muitas opções a não ser a diplomacia. O fato mais recente deste embate internacional foi a notícia – divulgada há algumas horas – de que militares russos afirmam ter encontrado estoques de armas químicas dos rebeldes sírios na cidade atingida pelo ataque com gás tóxico. É muito pouco para virar este jogo.

 

Leia também: EUA e Rússia vivem uma nova Guerra Fria?

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2 Opiniões

  1. Beraldo disse:

    Que o G7, o Trump, o Putin, a Tereza, o Macron, o Assad, o Rei Sudita de Plantão, os Aiatolás iranianos, o Benjamim israelense e mais uma po…. envolvidos nesta m… morram e deixem o mundo em paz.

    Vão disputar poder e dinheiro no inferno!

  2. Beta disse:

    De novo EUA e Rússia dando as cartas do jogo internacional.

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