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Rússia vs Ocidente

Putin monopolizou a comemoração do Dia da Vitória

O presidente russo deturpa a lembrança da vitória da antiga União Soviética sobre o nazismo para justificar sua luta contra o Ocidente

Putin monopolizou a comemoração do Dia da Vitória
O presidente Vladimir Putin é obcecado pelo culto à sua personalidade (Reprodução/Internet)

Em 9 de maio 150 aviões militares russos sobrevoaram o céu de Moscou, 16 mil soldados marcharam na Praça Vermelha e três mísseis balísticos intercontinentais foram expostos ao público, em comemoração ao aniversário de 70 anos da vitória da antiga União Soviética sobre a Alemanha nazista. O presidente Vladimir Putin, obcecado pelo culto à sua personalidade, monopolizou a comemoração de uma das datas mais importantes da Rússia com discursos a respeito da luta contínua contra o fascismo na Ucrânia e as tentativas de seu incentivador, os Estados Unidos, de impor a hegemonia norte-americana no mundo.

Os líderes dos Estados Unidos, França, Reino Unido e Alemanha não compareceram ao evento. E além do presidente da República Popular da China, Xi Jinping, poucas personalidades importantes do cenário político mundial estiveram presentes. Como Andrei Zorin, um historiador cultural russo disse, a decisão dos líderes ocidentais de não comparecerem foi vista pelos russos como uma confirmação de sua luta constante contra o Ocidente.

A sensação de isolamento e hostilidade que o Kremlin estimulou na preparação do Dia da Vitória não foi muito diferente do sentimento que reinou em Moscou nas primeiras horas de 9 de maio de 1945, quando milhares de pessoas beijaram-se e dançaram nas ruas em uma explosão espontânea de alegria e liberdade, em meio à tristeza pela morte de 27 milhões de compatriotas. As pessoas balançaram bandeiras americanas e inglesas. Muitos foram à embaixada dos Estados Unidos para abraçar os aliados. “Alguém pegou um marinheiro ou um soldado americano e o levantou no ar”, lembra a estudiosa russa Inna Solovyova, que tinha 17 anos na época. “Foi um dia realmente feliz, da vitória do povo e de cada um de nós.” A luta contra o nazismo e o fascismo foi uma experiência libertadora para as pessoas aterrorizadas por Stalin. Mas o ditador, dominado pela paranoia, não teve coragem de aparecer na Praça Vermelha. Só à noite uma grande bandeira com seu rosto iluminado foi hasteada no céu de Moscou.

Fontes:
Economist-Great patriotic war, again

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