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RÚSSIA

Putin vai vencer em 2018 apesar da economia

A recessão econômica na Rússia terminou. Mas sem reformas significativas o crescimento da economia ficará estagnado

Putin vai vencer em 2018 apesar da economia
O governo espera que as mudanças graduais criem condições para um desenvolvimento mais diversificado (Foto: Wikimedia)

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De pé no palco da Gorky Automobile Plant em Nizhny Novgorod no início de dezembro, rodeado por operários da fábrica, Vladimir Putin relembrou fatos importantes da história da região. Depois que os voluntários de Novgorod ajudaram Moscou a superar os problemas causados pela revolta militar em 1682, disse o presidente, “A nação russa unida, centralizada e poderosa começou a se desenvolver com rapidez”. Em seguida, Putin pediu aos operários que mantivessem a tradição de fidelidade à pátria. “Com a participação ativa de pessoas como vocês a Rússia continuará progredindo.”

No plano econômico, a indústria automobilística russa está progredindo, embora devagar. Após dois anos de recessão, a economia cresceu em 2017. O banco central manteve a inflação abaixo da meta de 4%, depois de um período de uma inflação superior a 16% em 2015. No entanto, o crescimento estimulado pela produção e exportação de petróleo sofreu uma paralisação mesmo antes da última crise. Em 2013, com os preços do petróleo em torno de US$100 por barril, o aumento do PIB foi de apenas 1,3%. Este ano será inferior a 2%. Segundo o Banco Mundial, sem uma reforma econômica significativa o aumento do PIB ficará em torno de 1,8% nos próximos anos.

Uma economia estagnada é um desafio para o Kremlin no momento em que se prepara para o quarto mandato de Putin. O aumento das receitas em seus dois primeiros mandatos, quando a economia cresceu em média 7% ao ano, proporcionou a base de sua popularidade. Desde o retorno à presidência em 2012 após um mandato como primeiro-ministro, a política externa de Putin substituiu o progresso econômico como a principal conquista de seu governo. Embora haja poucas dúvidas quanto à sua vitória nas eleições, Putin terá de adotar medidas para acelerar o crescimento sustentado do país em um curto espaço de tempo. “A população russa é paciente, mas a paciência não é eterna”, disse um funcionário de alto escalão russo.

Tudo dependerá da condução da política econômica depois das eleições. “Sempre que começa um novo mandato, Putin propõe um pacote de reformas”, comentou Alexander Ivlev da empresa de auditoria EY. Os políticos concordam que a mudança é necessária, “mas existem estrategistas e especialistas em tática”, com prioridades diferentes, declarou Natalia Orlova, economista-chefe do Alfa-Bank. “Alguns só acreditam em reformas estruturais para promover o progresso econômico, porém outros argumentam que no sistema russo as reformas estruturais são inviáveis e, por isso, querem fazer pequenos avanços”, acrescentou.

O ex-ministro das Finanças, Alexei Kudrin, do Centre for Strategic Research, defende a realização de reformas estruturais. A segunda opção é a preferida do ministro do Desenvolvimento Econômico, Maxim Oreshkin.

O governo espera que as mudanças graduais criem condições para um desenvolvimento mais diversificado. Um novo sistema fiscal, semelhante ao da Noruega, visa proteger a economia da oscilação no preço do petróleo. Quando o preço subir para US$40 por barril, as receitas adicionais serão usadas para reconstruir fundos de reserva que se esgotaram nos últimos anos. No ranking da classificação das economias segundo o grau de facilidade de fazer negócios do Banco Mundial, a Rússia ocupa hoje o 35º lugar.

Entretanto, essas medidas não serão suficientes para impulsionar o crescimento econômico. Depois de um bom desempenho no segundo trimestre, a economia desacelerou de novo no terceiro trimestre. A indefinição quanto à imposição das últimas sanções dos Estados Unidos à Rússia afastou os investidores estrangeiros.

O investimento interno é extremamente dependente do Estado. De acordo com Natalia Orlova, em 2017 o governo investiu em três grandes projetos de infraestrutura: a construção de um gasoduto que liga a Sibéria à China, a reforma da cidade de Moscou e a construção de uma ponte unindo o continente russo à Crimeia.

Fontes:
The Economist-Mr Putin will win next year despite, not because of, the economy

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