Início » Cultura » Artes Plásticas » Qual a linha que separa homenagem de plágio?
Arte

Qual a linha que separa homenagem de plágio?

Artista protesta a revelação de uma obra na China que é extremamente parecida com sua escultura, localizada em Chicago

Qual a linha que separa homenagem de plágio?
Segundo o prefeito de Chicago, “Imitação é a forma mais sincera de elogio” (Foto: Pixabay)

Anish Kapoor, autor da famosa escultura “Cloud Gate”, apelidada de “The Bean” (“O feijão”), localizada no Millenium Park, em Chicago, EUA, vem publicamente expressando sua consternação sobre o fato de a cidade de Karamay, na China, ter apresentado uma escultura que se parece – e muito – com a sua.

Ele esbravejou que o projeto, cujo autor se mantém anônimo, é um plágio descarado. “Hoje, na China, é permitido roubar a criatividade de outros”, disse Kapoor, prometendo levar sua revolta ao nível mais alto e processar judicialmente os responsáveis pela obra.

Kapoor expressou esperança de que o prefeito de Chicago, Rahm Emanuel, se junte a ele na sua cruzada por seus direitos autorais. O prefeito, no entanto, tem uma visão diferente da versão chinesa do “The Bean”. “Imitação é a forma mais sincera de elogio. E quem quiser ver a obra original, venha a Chicago”, disse o prefeito.

Na arte visual, bem como em outras formas, uma cópia do trabalho artístico é uma violação de direitos autorais, enquanto usar elementos do trabalho protegido por direitos autorais de alguém pode ser permitido sob a disposição “uso justo” da lei americana.

A escultura em Karamai provavelmente infringe os direitos autorais de Kapoor, mas o que foi realmente roubado? Os chineses não estão produzindo camisas com o “The Bean” ou vendendo miniaturas da escultura. Pelo contrário, estão prestando homenagem ao trabalho original, como fizeram quando réplicas da Torre Eiffel construídas nas cidades de Shenzhen e em Hangzhou.

Quando os burgueses da aldeia de Hallstt, na Áustria, souberam dos planos de um rico minerador chinês de construir  uma cópia da sua joia Alpina em 2011, ficaram surpresos e escandalizados. Os chineses construíram sua duplicata  sem anúncio e muito  menos permissão. No entanto, logo os austríacos descobriram as vantagens de ter milhares de turistas chineses, ao invés de apenas dúzias, visitando a sua cidade, comendo suas comidas típicas e se hospedando em suas pousadas todos os anos. Talvez Anish Kapoor descubra, eventualmente, o lado bom de ter o seu “The Bean” clonado.

Fontes:
The Economist - The Bean and the Bubble

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *