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Quatro questões levantadas pelos ataques em Paris

Jornal discute se a Al Quaeda e o ISIS trabalharam juntos nos ataques, se ainda há uma ameça na França, se o país poderia ter prevenido os ataques e se há algum impacto na segurança do Reino Unido

Quatro questões levantadas pelos ataques em Paris
Tributo às vítimas do Charlie Hebdo (Reprodução/ The Independent)

Na semana passada, após de matar dez jornalistas e dois policiais, os irmãos Cherif and Said Kouachi afirmaram trabalhar para um braço da Al Quaeda no Iêmen, chamado AQAP. Já Amedy Coulibaly, que matou quatro durante o ataque a um mercado de comida judaica, além de uma policial, disse em um vídeo postado numa rede social que fazia parte do Estado Islâmico (ISIS).

Muitas questões sobre os ataques da semana passada permanecem sem resposta. Em matéria publicada nesta terça-feira, 13, o jornal britânico Independent respondeu quatro delas. Confira abaixo.

1) Os ataques indicam que a Al Quaeda e o ISIS agora trabalham juntos?

As ligações entre os três atiradores vêm de, no mínimo, 2005, quando registros do tribunal francês mostram que Coulibaly e Cherif Kouachi foram presos juntos.

Oficiais também acreditam que os irmãos Kouachi foram ao Iêmen em 2011, onde poderiam ter estabelecido alguma ligação com o ex-líder do AQAP, Anwar al-Awlaki, morto naquele ano.

Embora os irmãos Kouachi e Coulibaly tenham afirmado representar dois grupos diferentes, especialistas dizem que isso não necessariamente quer dizer que os ataques foram fruto de um esforço conjunto da Al Quaeda com o ISIS. Os dois grupos não têm boas relações. Charlie Winter, um pesquisador do extremismo islâmico, da Fundação Quilliamum, disse ao Independent que as relações entre a AQAP e o ISIS “nunca foram piores”.

2) Ainda há uma ameça pela rede jihadista em Paris?

A polícia francesa disse que até seis membros da célula terrorista, que incluía os irmãos e Coulibaly, ainda poderiam estar a solta, incluindo um homem que foi visto dirigindo o carro da viúva de Coulibaly, Hayat Boumeddiene.

Dois oficiais da polícia disseram à Associated Press que as autoridades estão procurando o carro de Boumeddiene em Paris. Segundo os oficiais, o terrorista fugiu para a Síria. Um oficial disse que a célula contava com cerca de dez membros e que “cinco ou seis poderiam estar soltos”. Outro oficial, por sua vez, disse que a célula era formada por oito pessoas, incluindo Boumeddiene.

3) A França poderia ter prevenido os ataques?

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, admitiu que pode ter acontecido falhas na segurança francesa. “Quando você tem 17 mortos, obviamente há falhas”, disse. “Nós estamos enfrentando um fenômeno sem escala paralela”.

Todos os três homens armados já eram conhecidos da polícia e tinha estado sob vigilância em algum momento no passado, mas um ex-juiz que liderou as operações de contra-terrorismo disse que o grande número de suspeitos tornou impossível manter o controle de todos eles.

4) Os ataques vão ter algum impacto na segurança britânica?

Na última segunda-feira, 12, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, realizou uma reunião de segurança na Downing Street, sua residência oficial, para discutir o risco de ataques no Reino Unido, examinando a preparação das forças de segurança em caso de incidentes semelhantes.

Um porta-voz de Downing Street disse que as agências “regularmente” realizam exercícios para testar a resposta a um ataque de horror, “incluindo cenários parecidos com os incidentes em Paris”. “Os ataques em Paris mostraram o tamanho da ameaça que nós enfrentamos, além da necessidade de ter grandes poderes nas agências de segurança e inteligência para manter nosso povo seguro”, disse Cameron.

 

 

 

Fontes:
The Independent-Were Paris attacks the first case of al-Qaeda and Isis working together? Six questions raised in aftermath of France shootings

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