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CRISE DIPLOMÁTICA

Quem é Andrew Brunson, o pivô da tensão entre EUA e Turquia?

Cristãos evangélicos nos Estados Unidos negam as acusações feitas pelo governo da Turquia a Andrew Brunson e afirmam que ele foi preso por causa de sua fé religiosa

Quem é Andrew Brunson, o pivô da tensão entre EUA e Turquia?
Brunson está no centro de uma crise diplomática e econômica internacional (Foto: Andrew & Norine Brunson/Facebook)

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Andrew Brunson, um pastor evangélico, morou 23 anos em Esmirna, uma cidade turca na costa do mar Egeu. Lá, reuniu uma congregação de 25 fiéis na pequena Igreja da Ressurreição, ensinou seus filhos a mergulhar, organizava sessões de cinema e piqueniques e se orgulhava de pertencer a gerações de pastores protestantes.

Agora, Brunson está no centro de uma crise diplomática e econômica internacional, que causou uma enorme desvalorização da lira turca e levou o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, a acusar os Estados Unidos de apunhalar seu país pelas costas.

A prisão de Brunson em outubro de 2016 e posterior acusação de espionagem e ligações com organizações terroristas converteram-no em um mártir aos olhos de ativistas cristãos nos EUA.

Há pouco tempo, Donald Trump escreveu em sua conta no Twitter que Brunson era “um excelente cristão, um homem de família e um ser humano maravilhoso. Ele está sofrendo muito. Este homem inocente precisa ser libertado imediatamente”. O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, disse que a Turquia “enfrentaria sérias consequências” se não o libertasse. Mike Pompeo, o secretário de Estado, ameaçou impor “sanções severas” à Turquia.

Este mês, a ameaça do governo americano se concretizou com o aumento das tarifas de importação de aço e alumínio, o que precipitou a crise econômica na Turquia.

Brunson, nascido na Carolina do Norte, é o mais velho de sete filhos de uma família profundamente religiosa. Ele se mudou para Esmirna em meados da década de 1990 com a esposa Norine e três filhos.

O governo turco o acusa de ter ligações com o clérigo muçulmano Fathullah Gülen, a quem Erdogan responsabiliza pela tentativa fracassada de golpe de Estado em 2016. Milhares de pessoas foram presas após o golpe. Brunson foi condenado a 35 anos de prisão.

Em uma petição assinada por cerca de 600 mil pessoas, o American Center for Law and Justice, uma organização cristã conservadora, declarou que “o cristianismo estava em julgamento” na Turquia.

No mês passado, as autoridades turcas colocaram Brunson em regime de prisão domiciliar devido a problemas de saúde. Durante seu julgamento, Brunson  disse que havia sido preso e acusado sem provas. “Eu sou um homem inocente. Assim como os discípulos de Jesus sofreram em seu nome, estou aqui para sofrer em nome de Jesus”.

Na última segunda-feira, 20, o governo da Turquia ofereceu aos EUA um acordo para libertar Brunson e outros cidadãos americanos presos no país. Porém, o governo americano rejeitou o acordo, que tinha como condição o fim de uma investigação ao banco Halkbank, que enfrenta a possibilidade de uma multa bilionária por ajudar o Irã a evadir as sanções americanas.

 

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Fontes:
The Guardian-Andrew Brunson: the US pastor at the heart of an international crisis

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