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Eleições nos EUA

Quem é o melhor candidato?

Eles merecem um candidato melhor que Obama. Infelizmente, Romney não se encaixa nesse perfil

Quem é o melhor candidato?
Eleitores norte-americanos decidirão na terça-feira quem governará o país pelos próximos quatro anos (Reprodução/The Economist)

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Há quatro anos, milhões de norte-americanos elegeram com entusiasmo Barack Obama para presidente. Na próxima terça-feira, 3, a população irá às urnas novamente, mas muito menos esperançosa. As eleições têm o objetivo de eleger alguém para governar um país. Desta vez, essa escolha gira em torno de duas questões básicas: o quão bom foi o governo do presidente Obama, especialmente nas questões econômicas e de política externa; e pode o país acreditar nas mudanças prometidas por Romney para uma melhor gestão? Com base nisso, o democrata, por poucos motivos, merece ser reeleito.

O primeiro mandato de Obama tem sido irregular. Na economia, o mais forte argumento utilizado pelo presidente é que ele conseguiu amortecer a queda antes que o tombo tivesse sido pior. Os  EUA estavam em uma espiral econômica decrescente quando ele assumiu, com os bancos e montadoras em apuros, além da taxa de desemprego subindo em 800 mil por mês. Sua resposta foi um estímulo agressivo, resgatando as montadoras General Motors e Chrysler, colocando os bancos sobre um teste sensível de estresse e forçando-os a aumentar capital, de modo que já estão em melhor forma que os europeus.

Dois outros fatores contam pontos a favor do democrata: um é a política externa, onde uma difícil herança do governo anterior foi deixada para Obama. O presidente focou a guerra ao terror de Bush mais diretamente nos terroristas — e não na população islâmica –, matou Osama Bin Laden, inimigo número um do país, intensificou os ataques com aviões não-tripulados e retirou tropas do Iraque e do Afeganistão. Após um começo instável com a China, a diplomacia norte-americana virou-se com mais simpatia para a Ásia. Em contraste, a gestão da disputa entre Israel e Palestina tem sido um fiasco e o prometido “recomeço” com a Rússia não foi bem sucedido. O Irã também continua sua caminhada rumo às armas nucleares.

Todos esses problemas poderiam ter sido antecipados. A Primavera Árabe, não. Neste caso, Obama pode citar o sucesso da derrubada de ditadores no Egito e na Líbia, mas ele apenas acompanhou esses eventos e não os liderou, como vem fazendo também diante da carnificina da Síria, com resultados alarmantes. Comparado com H.W. Bush (pai), que contribuiu para o fim da Guerra Fria, o desengajado Obama está longe de ser um diplomata nato, entretanto, comparado a seu antecessor W. Bush, Obama é um candidato confiável e eficaz.

Obamacare

Outro importante sucesso do presidente foi a reforma na saúde. O fato de que 40 milhões de pessoas não têm plano de saúde num país rico como os Estados Unidos é um escândalo. O programa Obamacare” corrigiria isso, mas o democrata poderia ter feito mais para lidar com outra falha do sistema: os altos cultos da saúde. Ele permitiu sem negociação que os democratas mais à esquerda do partido controlassem a aprovação de leis no Congresso.

É aqui que as dúvidas sobre o governo Obama realmente começam. Nenhuma administração, em muitas décadas, valorizou tão pouco o comércio. Último presidente democrata eleito, Bill Clinton elevou impostos, mas continuou entendendo e respeitando o capitalismo. Criticar o mundo dos negócios é prática comum àqueles que estão ao redor do presidente. E se ele nomeou alguns alguns nomes decentes para seu gabinete, como por exemplo, Hillary Clinton para o Departamento de Estado, a Casa Branca parece insular e esquerdista.

Obama também não mostrou disposição para enfrentar o principal problema interno do país: os EUA não podem continuar a tributar como um governo pequeno, mas gastar como um governo grande. Obama chegou ao poder prometendo acabar com a evasão crônica das decisões difíceis no que diz respeito às finanças do país, mas depois recuou rápido, como fez também nas questões de mudança climática e e imigração. Toda a sua campanha tem se concentrado em atacar Romney, geralmente por sua riqueza e seu sucesso nos negócios.

Múltiplas personalidades de Romney

As deficiências de Obama deixaram um espaço para um republicano pragmático, especialmente um que poderia equilibrar as contas do governo e pôr ordem na casa. Um candidato apareceu e brilhou na televisão no primeiro debate presidencial. O problema é que existem diversos Romneys e eles se comprometeram a muitas coisas perigosas. Nos debates, quando questionado sobre política externa, o republicano concordou com o presidente em quase todas as questões. Mas em outros temas ele vem defendendo uma linha mais agressiva. Romney parece estar pronto para bombardear o Irã, além de não criticar o apoio cego a Israel e acreditar que os palestinos não querem a paz.

Longe de ser a voz da prudência fiscal, Romney quer cortar impostos logo no início de seu governo, medida que certamente será favorável ao segmento mais rico da população, mas ao mesmo tempo ele pretende aumentar os gastos com a Defesa. Juntas, essas medidas adicionarão sete trilhões de dólares ao déficit norte-americano. Aliados do republicano explicam que suas políticas fiscais são um mal necessário para apaziguar os republicanos mais fanáticos que votam nas primárias do partido. No entanto, mesmo se você aceitar essa arriscada teoria de que Romney joga para a plateia, é difícil imaginar que ele vai reverter esse curso completamente quando estiver na Casa Branca. Sem dúvida, o atual extremismo do partido republicano é o maior obstáculo do candidato Romney.

Então, mesmo com todos os seus defeitos, Obama tem conseguido reerguer a economia norte-americana, que estava numa difícil situação, além de fazer progressos importantes na política externa e melhorar a imagem dos EUA no exterior. Ele está longe de ser o candidato perfeito, mas os norte-americanos farão a melhor escolha se permanecerem com o presidente Obama por mais quatro anos.

Fontes:
The Economist-Which one?

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2 Opiniões

  1. Carlos Neves disse:

    Alguém viu alguma foto do Osama Bin Laden, morto? Então como podem afirmar que está morto? Eler foi uma cria da CIA. E Obama è uma fraude queniana. Não à americano. Recusa-se a mostrar sua certidão de nascimento original.O que tem de mal Romney? Não ser democrata? Só pode.

  2. WILSON COSTA E SILVA disse:

    Pelo excessivo conteúdo de informação seja através das Redes Sociais, seja pela Mídia, num amplo trabalho jornalistica, acho que estamos participando mais da eleição americana do que os próprios cidadãos estadounidenses, pois, salta nos da compreensão como aquele povo é indiferente com o seu processo eleitoral. Não sei se isso é pior ou melhor, mas, quando nos calamos demais diante de atitudes, nossa omissão será um preço alto a pagar depois, pois, não conseguiremos reverter os atos daqueles que deixamos soltos e à vontade para fazer o que quiser. De qualquer forma deixo aqui minha opinião: sou mais simpático ao candido democrata: Barack Obama. Wil.

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