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Quem pode substituir Theresa May?

A difícil substituição da primeira-ministra Theresa May no período turbulento das negociações do Brexit

Quem pode substituir Theresa May?
Theresa May foi descrita por um ex-colega de gabinete como um ‘morto-vivo que caminha’ (Foto: Flickr)

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Depois que o Partido Conservador não conseguiu eleger a maioria absoluta no Parlamento britânico no ano passado, Theresa May foi descrita por um ex-colega de gabinete como um “morto-vivo que caminha”. Essa descrição cruel é só em parte verdadeira. Em razão da inércia da primeira-ministra desde a eleição, seria mais apropriado descrevê-la como um “morto-vivo que ainda está em pé”.

A ausência de políticas ou objetivos em Downing Street, associada aos frequentes equívocos e imprecisões de May, levaram o Partido Conservador a pensar em substituí-la. Mas sua substituição nesse momento de negociações do Brexit poderia ser pior para o futuro do Reino Unido.

Desde o fracasso eleitoral a primeira-ministra acumula erros táticos. Ela se conduziu mal após o trágico incêndio em Grenfell Tower. Quando tentou reorganizar seu gabinete, alguns ministros recusaram-se a renunciar. Ainda pior do que os erros é o vácuo das ideias. O político apelidado de “Theresa Maybe” há um ano ainda não decidiu como solucionar a falta de moradias no Reino Unido, a crise no atendimento aos idosos ou o lento declínio do Serviço Nacional de Saúde.

O mais preocupante é o seu silêncio a respeito do Brexit. Antes, essa precaução quanto ao que deveria ser dito era vista como uma tática inteligente para proteger a estratégia de negociações com a União Europeia. Porém, com menos de um ano para chegar a um acordo, é evidente que o verdadeiro propósito de seu silêncio é disfarçar o fato de que não há estratégia. As “linhas vermelhas” da primeira-ministra, que incluem retirar o Reino Unido da união aduaneira da UE e manter uma fronteira invisível com a Irlanda, são inconsistentes. No comércio, ela quer uma solução que, de alguma forma, associe continuidade para os negócios a um maior controle sobre os regulamentos, uma proposta que acha que a UE irá aceitar.

Qualquer primeiro-ministro teria dificuldade em lidar com as contradições internas do Brexit, embora outro premier pudesse ser mais explícito quanto aos seus planos.Como a análise do governo mostrou na última semana de janeiro, as crescentes reivindicações de soberania do Reino Unido prejudicam a prosperidade da nação.

Os membros do Partido Conservador, que apoiaram uma atitude mais intransigente no tocante ao Brexit por três votos contra um, estão certos em pensar que outro primeiro-ministro poderia negociar melhor a saída do Reino Unido da União Europeia. Porém, provavelmente, escolheriam alguém ainda menos adequado. Segundo as regras do partido, seus deputados escolheriam um candidato com uma proposta mais conciliatória de permanecer na união aduaneira e talvez no mercado comum europeu, ou um candidato com uma postura mais radical em relação às propostas da Comissão Europeia. As chances, então, de escolha recairiam em um linha-dura, como Boris Johnson, o caótico secretário de Estado para os Assuntos Externos, ou em Jacob Rees-Mogg, uma versão moderna de um parlamentar vitoriano.

Sob o comando de May, as negociações para a saída da UE em março de 2019 avançam com poucos resultados, além de um acordo de transição que pode se prolongar por alguns anos. A realidade das difíceis consequências do Brexit para a economia, para a fronteira com a Irlanda, e a regulamentação dos medicamentos, entre muitas outras questões, está aos poucos se revelando. Pouco a pouco, o Partido Trabalhista está cedendo em alguns pontos das negociações, assim como os conservadores. Uma nova geração de líderes conservadores estará menos inclinada do que os mais velhos a adotar uma política prejudicial à economia e, por conseguinte, às perspectivas eleitorais de seu partido. A atuação da primeira-ministra May tem sido decepcionante, mas sua substituição exige cuidado na escolha de um novo líder.

Fontes:
The Economist - Theresa May is intolerable—but unsackable

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