Início » Internacional » Questão migratória volta a bater à porta dos países ricos
Polêmica

Questão migratória volta a bater à porta dos países ricos

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Quatro imigrantes ilegais passaram a noite do dia 22 para o dia 23 de abril em cima de um guindaste em Bruxelas, na Bélgica. Três deles escalaram a máquina na manhã do dia anterior, enquanto o quarto despistou a polícia e se apoleirou na grua já à tarde. Do alto, podiam avistar o edifício do Serviço de Estrangeiros belga a uma distância de dois ou três prédios. Disseram que de lá não desciam e de lá ninguém os tirava até que lhes arranjassem "papéis".

Sim, documentos que lhes permitissem viver e trabalhar em solo europeu sem ter a polícia em seus calcanhares. Os imigrantes, de origem argelina, contavam com comida e bebida suficientes para que sua permanência ali ganhasse a atenção da mídia européia, ao menos. Mas poucos dos grandes jornalões do continente tiveram espaço para este protesto nas páginas que costumam dedicar à espinhosa questão da imigração.

Eles deram azar. O alpinismo urbano dos argelinos sem papéis — ou ilegais, indocumentados, indesejados etc. — coincidiu com dias de alvoroço e de noticiário farto sobre dramas envolvendo a problemática migratória ao redor do mundo. A começar pela inusitada greve dos "san papiers" na França, que mobilizou cerca de 500 trabalhadores em Paris e afetou o funcionamento de restaurantes e de empresas do setor de limpeza.

Maiores salários? Menor carga horária? Não. Na pauta de reivindicações dos imigrantes ilegais parisienses constava apenas a regularização de sua situação no país. A pressão aumentou quando representantes do setor de turismo da França disseram ao governo que terá problemas caso não seja dada autorização de trabalho para centenas de "san papiers" que lavam os pratos e arrumam os quartos. A palavra que proprietários de hotéis e restaurantes vêm utilizando é "desastre".

Diante deste cenário sombrio, o governo francês já acena com a possibilidade de regularização de trabalhadores estrangeiros em situação irregular. É algo cuja amplitude ainda não se conhece, mas que certamente não será feito em escala massiva, como adiantou o ministro do Trabalho da França, Brice Hortefeux, em entrevista ao jornal Le Figaro.

A greve dos "san papiers" coincidiu com o reconhecimento por parte da União Européia de números divulgados por organizações de defesa dos direitos humanos que dão conta de 10 mil migrantes mortos nos últimos cinco anos enquanto tentavam entrar na Europa pela via marítima. Estima-se que um em cada três "cayucos" — embarcações de fibra de vidro e movidas a motor — naufraguem no mar Mediterrâneo cheios de africanos tentando chegar à costa espanhola.

Ao mesmo tempo, eclodiu na Espanha um escândalo envolvendo funcionários da empresa de segurança Prosegur, que têm fama de serem violentos quando quem lhes cruza o caminho são imigrantes latino-americanos. Os próprios seguranças gravaram com telefones celulares imagens de agressões no metrô de Madrid. Os vídeos foram parar no site de compartilhamento YouTube.

A questão migratória, legal ou ilegal, é particularmente explosiva na Espanha. No final de 2007, uma pesquisa realizada no País Basco mostrou que 52% dos habitantes da região acreditam que "a chegada de imigrantes afeta negativamente a segurança dos cidadãos" e 70% dizem que eles "se beneficiam excessivamente do sistema de proteção social". Uma porcentagem parecida, 69%, acredita que os imigrantes usufruem mais dos serviços públicos do que seria justo, tendo em vista o que pagam de impostos.

A confederação de empresários da Espanha estima que 1 milhão de imigrantes perderão seus empregos em 2009 em virtude da crise nos setores de serviço e construção, exatamente onde trabalham a maioria dos brasileiros que vivem por lá.

O tema da imigração vem esquentando também em outros pontos da Europa. Na Alemanha, país que abriga o maior número de turcos que vivem fora da Turquia, causou polêmica a intenção declarada pela chanceler Angela Merkel de exigir que os imigrantes comprovem conhecimentos básicos do idioma alemão. Na Itália, o premiê recém-eleito, Silvio Berlusconi, ameaça fechar as fronteiras para impedir a entrada do que chama de "exército do mal" — no caso, imigrantes ilegais.

No outro lado do Atlântico, 20 haitianos morreram afogados quando tentavam migrar para os EUA. Os corpos foram encontrados a 20 quilômetros da costa das Bahamas. O episódio fez lembrar uma estatística tão dramática quanto bizarra: No ano passado, 61 haitianos náufragos foram devorados por tubarões.

O Haiti vem sendo um dos países mais castigados pela subida dos preços dos alimentos em escala mundial. Só em abril seis pessoas já morreram no país em protestos contra a escassez de comida, e esta situação tende a impulsionar ainda mais as tentativas de emigração pela via marítima e ilegal, feitas invariavelmente em condições extremamente arriscadas.

A imprensa norte-americana vem adiantando que o governo vai passar a recolher amostras de DNA de imigrantes que violem as leis do país. Por outro lado, em sua recente viagem aos EUA, o Papa Bento XVI rezou uma missa bilíngüe — em inglês e espanhol — em pleno estádio dos Yankees, o tradicional time de beisebol da cidade de Nova Iorque. O Papa, ainda em solo norte-americano, criticou a truculência do tratamento que via de regra é dispensado ao imigrantes ilegais.

Todos estes acontecimentos envolvendo africanos e latino-americanos na Bélgica, França, Espanha, Alemanha, Itália e EUA ocorreram em menos de duas semanas, e mostram que a questão migratória, a exemplo dos preços dos alimentos, é algo que demanda grandes soluções a curto e médio prazos, sob pena de o mundo vivenciar novas e enormes catástrofes.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

5 Opiniões

  1. EDVALDOTAVARES disse:

    OS POBRES REIVINDICAM DIREITOS COMO SERES HUMANOS
    Os países desenvolvidos, usurpadores das riquezas dos países pobres, têm que encontrar soluções humanísticas em até médio prazo, sob pena de sofrerem as conseqüências da guerra desencadeada pela pobreza. Aproximadamente de 75 a 80% da humanidade é constituída de desassistidos, pobres e ignorantes. Como nada de produtivo é feito para que tenham vida dígna e necessitam viver, partem em busca de melhores condições de vida que inexistem em suas localidades e países. Atualmente a população mundial é 6,3 bilhões, mas, breve, em poucas décadas dobrará, e, as populações pobres aumentarão. Para se livrarem dos problemas mais graves que virão, os ricos terão que tomar uma das seguintes medidas: exterminar os povos pobres ou assumir a distribuição de riquezas, promoção da educação e instiuição de políticas voltadas para o desenvolvimento das regiões e países desfavorecidos. Para terem sossego terão de pensar e agir, não como nações e povos isolados do resto do mundo, mas, como um só povo e nação, humanidade e planeta Terra. BRASIL ACIMA DE TUDO. EDVALDO TAVARES. MÉDICO. BRASÍLIA/DF.

  2. EDVALDOTAVARES disse:

    MENTES AVANÇADAS SABEM COMO SOLUCIONAR
    PROBLEMAS DIFÍCEIS
    O fim da pobreza implicando no extermínio de populações de países pobres escapa a qualquer senso crítico que abomina procedimento extremo como resolução de problemas. Não há justificativa estruturada na erradicação
    de populações não desenvolvidas como solução de problemas que afligem a humanidade. A história é rica em exemplos demonstrando que esse não é o melhor caminho. A repartição de riquezas, o investimento maciço na educação e medidas em prol do desenvolvimento são indicados como a mais pertinete conduta tomada para o desenvolvimento de todos os povos que ainda não atingiram as condições mínimas para viverem com dignidade. BRASIL ACIMA DE TUDO. EDVALDOTAVARES.”. MÉDICO. BRASÍLIA-DF

  3. Arlon Borges disse:

    Por um lado temos de entender a tentativa dessas pessoas desesperadasd de tentar uma vida melhor. Por outro, temos de entender governos que são eleitos para defender os interesses de seus cidadãos, não os dos cidadãos dos outros países.

    Ao mesmo tempo que os imigrantes ilegais prestam serviço útil, ao fornecerem uma mão-de-obra necessária, eles são um grande peso nos serviços de educação e saúde: não pagam impostos e utilizam os serviços. É um dilema difícil.

  4. Neusa Miranda Fávero disse:

    Parabéns ao Edvaldo Tavares que soube muito bem exemplificar que mentes avançadas ou esclarecidas sabem como solucionar problemas difíceis. O que acontece é que a humanidade ainda está no seu desvario atrás do vil metal, não lhe importando a quem irá ferir, se esquecendo que tudo o que emitimos (que sai de nós) por atos ou palavras é comparável à catástrofe de um raio magnético que ninguém sabe onde vai cair ou os estragos que irá causar.
    Que Deus possa iluminar essas mentes!

  5. joana disse:

    Penso que a natureza se encarregara de resolver todos estes problemas causados pela superpopulação humana
    Já começou …

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *